Paris tem protesto contra proibição de véu

21 de dezembro de 2003 • 20h18 • atualizado às 20h18

Cerca de 3 mil manifestantes, incluindo jovens mulheres em véus muçulmanos, realizaram hoje um protesto contra o plano do governo francês de proibir símbolos religiosos explícitos em escolas. A proposta, anunciada pelo presidente Jacques Chirac na quarta-feira, foi bem recebida pela maior parte dos líderes religiosos locais, mas gerou a ira dos muçulmanos do país e do exterior.

Os manifestantes, a maioria muçulmanos, agitavam no ar seus documentos de identidade franceses ou a bandeira nacional em sua passeata no centro de Paris, levantando cartazes com os dizeres "meu véu, minha voz" ou "véu, cruz, kipá, a escolha é nossa".

O projeto de lei, que será submetido ao Parlamento em fevereiro, proibiria os símbolos religiosos como véus, kipás judaicas e cruzes cristãs grandes.

Os muçulmanos devotos acreditam que as mulheres devem cobrir a cabeça da vista dos homens que não tenham vínculo de parentesco com elas. Os judeus devotos usam kipás, ou solidéus, como sinal de constante reverência a Deus.

Os estudantes poderão usar símbolos discretos de sua fé como pingentes, a estrela de Davi, ou cruzes. "Na França, todos podem dizer o que pensam. Quem aprova essa lei já falou, agora é nossa vez", disse Wouassila, um dos organizadores do protesto.

Clérigos muçulmanos influentes conclamaram os muçulmanos a usarem sua influência política e econômica na França para combater a lei, enquanto o clérigo superior da Síria ligou a Chirac hoje para pedir que o presidente reconsidere a legislação.

O mufti Ahmad Keftarou pediu a Chirac em uma carta que "reconsidere seu apoio a essa decisão para estar em harmonia com a grande história da França (...) e sua tradição moderada de permitir a co-existência entre religiões, raças e diversas nacionalidades".

Grupos anti-racismo disseram que a medida é no mínimo dúbia legalmente e ajudaria apenas a aumentar o sentimento de hostilidade contra os muçulmanos.

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