Chirac fará na próxima quarta-feira um discurso pela televisão para se pronunciar sobre a necessidade ou não de proibir por lei o uso do véu islâmico e de outros símbolos religiosos ostensivos em escolas, tentando resolver uma discussão que polariza a sociedade francesa.
Em seu relatório, entregue na quinta-feira passada a Chirac, a comissão presidida por Bernard Stasi e composta por 20 especialistas propõe que "sejam proibidos em escolas, colégios e liceus as roupas e símbolos que manifestem uma pertinência religiosa ou política". O informe pede a proibição dos "sinais ostensivos, como uma grande cruz, o véu ou a quipá", mas não dos "discretos", como medalhas ou pequenas cruzes, Corões ou estrelas de David.
Reunido hoje em caráter extraordinário para analisar o relatório da "comissão Stasi", o CFCM disse que o "espírito geral e o tom" do documento "estigmatizam" os muçulmanos e "não levam em conta a realidade do Islã na França". Segundo a CFCM, a definição de laicismo contida no relatório representa um passo para trás em relação às leis existentes.
O CFCM acusa os especialistas de ter reduzido a questão do véu islâmico a "um assunto de ordem pública" e denuncia que os sinais religiosos apresentados como discretos e atribuídos ao Islã "têm mais relação com a tradição do que com a prática religiosa". Em entrevista coletiva, muitos dos dirigentes da CFCM destacaram a "gravidade" da atual situação.
Paradoxalmente, 53% dos muçulmanos na França se opõem ao uso visível dos sinais religiosos nas escolas, segundo pesquisa divulgada nesta segunda-feira. De acordo com a "comissão Stasi", o uso do véu é relativo a setores fundamentalistas do Islã e qualificado como um emblema "político-religioso", e os símbolos discretos só confirmam uma fé.
Fontes próximas a Chirac disseram que o chefe do Estado francês deve se pronunciar a favor de uma lei sobre o laicismo, como pede a "comissão Stasi", mas não defenderá a proposta dos especialistas de criar dois novos feriados no calendário escolar: o Aid-el-Kebir muçulmano e o Yom Kipur judeu.
Em entrevista que será publicada amanhã pelo jornal "Le Parisien", o primeiro-ministro da Fraça, Jean-Pierre Raffarin, que pretende suprimir um dos onze feriados atuais, expressa sua "surpresa" em relação a essa proposta e se pergunta se os especialistas "refletiram o suficiente sobre sua implementação".
Raffarin, que conversará amanhã com Chirac sobre a espinhosa questão, acha que os agentes do Estado devem ter "meios jurídicos" para que as normas do laicismo sejam respeitadas.
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