Tiros para o alto e alegria nas ruas do Iraque

14 de dezembro de 2003 • 13h40 • atualizado às 14h58
Iraquianos comemoram o anúncio oficial da prisão de Saddam Hussein nas ruas de Bagdá  Foto: AP
Iraquianos comemoram o anúncio oficial da prisão de Saddam Hussein nas ruas de Bagdá
14 de dezembro de 2003
Foto: AP

Tiros para o alto e buzinaços foram ouvidos hoje em Bagdá e em outras cidades iraquianas, após o anúncio da captura do ex-presidente Saddam Hussein, em Tikrit, sua cidade natal.

"Nós o pegamos", anunciou minutos antes o administrador civil americano, Paul Bremer, durante entrevista coletiva. "O tirano está preso", acrescentou Bremer.

Na capital foram disparadas armas de todos os calibres e a alegria era vista no rosto das pessoas que tomavam conhecimento da notícia surpreendente. Na praça Ferdus, uma das mais centrais, os moradores jogavam para cima antigas notas de dinar com o rosto do ex-ditador."Não é possível, deve ser um de seus sósias", disse, incrédulo, Taher, um motorista de táxi. Há oito meses os soldados americanos o procuravam sem cessar.

Na cidade santa xiita de Najaf, os moradores, reprimidos durante muito tempo, deixaram escapar a alegria. Muitos dançavam nas ruas, enquanto outros se reuniam em frente aos cafés equipados com televisões com canais por satélite para ouvir as notícias.

Em Baaqba, ao noroeste de Bagdá, onde com freqüência ocorrem ataques antiamericanos, também foram ouvidos tiros para o alto, enquanto muitas pessoas dançavam.

Em Kirkuk, o governador Abdel Rahman Mostafa Zangana, seu adjunto, Ismaïl Ahmad al Hadidi, e o chefe da polícia dançavam na rua com os soldados americanos. Outros sacrificaram cordeiros. Toda a cidade expressou sua alegria. Em Tikrit, ao contrário, não houve muitos sinais de alegria e as ruas estavam calmas.

O governador Hussein Jassem Gebara disse à AFP: "Me desagrada muito que tenham sido as forças estrangeiras as que o capturaram porque teria preferido que fosse a polícia iraquiana a que o tivesse detido", continuou.

Jahida Mohammad, de 45 anos, mãe de oito filhos, ainda estava incrédula. "Se anunciarem que o pegaram poderia (até) acreditar", disse ela. Em Hawija, perto de Kirkuk, e na cidade rebelde sunita de Fallujah reinavam a calma e a tristeza. bur/mvv/fp

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