No entanto, os sábios propuseram a instauração como feriado nas escolas da festa judaica do Yom Kipur e da muçulmana Aid El Kebir, uma idéia inesperada e inédita. "A França se converteria assim no primeiro país que não é muçulmano a reconhecer o Aid El Kebir e o único país com Israel a comemorar o Yom Kipur", frisou um dos membros da comissão, Patrick Weil.
Esta proposta já causou polêmica na França e o ultradireitista Jean-Marie Le Pen advertiu do risco de uma "islamização do país". O analista do Centro Europeu de Pesquisa e Ação sobre o Racismo e o Anti-semitismo (Cera), Jean-Yves Camus, considerou que o debate aberto pela proposta dos sábios pode dar ainda mais argumentos à Frente Nacional de Le Pen.
A ultradireita continua representando uma ameaça na França, país que conta com 5 milhões de muçulmanos, a comunidade mais importante da Europa. Segundo uma pesquisa publicada esta semana, as idéias de Le Pen têm o apoio de 22% dos franceses. Chirac já anunciou que comunicará sua decisão em um discurso à nação que terá que "dar satisfação tanto aos partidários da laicidade como aos religiosos", escreve hoje o jornal Le Figaro, próximo ao presidente francês.
Mas "nunca se disse que íamos adotar todas as propostas da comissão", precisaram assessores do Presidente, em alusão aos polêmicos feriados. Os representantes católicos, judeus e muçulmanos, assim como o partido no governo UMP, os socialistas (oposição), a imprensa e as feministas avaliaram positivamente as conclusões da comissão.
No entanto, os professores, que enfrentam na realidade o problema do véu, não dissimularam seu ceticismo. "Uma lei não solucionará todos os problemas", reconheceu o presidente da comissão, Bernard Stasi. "O que é preciso fazer é aplicar uma política que não seja discriminatória e demonstrar aos que vivem nos arredores de nossas cidades e que se sentem marginalizados (...), que são cidadãos franceses", acrescentou.
A tarefa de Chirac não será fácil. Entre outras coisas, terá que tranquilizar os que temem que uma lei deste tipo coloque o Islã no banco dos réus.
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