Josep Playà Maset
Espanha
Os dados mais recentes da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), referentes ao ano letivo de 2006/7, indicam que três em cada quatro alunos opta por assistir a aulas de religião, no país. O relatório divulgado pela comissão de ensino e catequese da CEE em fevereiro do ano passado revelava uma ligeira queda, de 0,4%, no número de estudantes que optaram por esse curso, no ano passado. Na escola primária, mais de 80% dos alunos participam das aulas de religião; no ensino secundário, o total cai a 50% nas escolas públicas e a 69% nas escolas privadas.
Dadas as dimensões desses números nacionais, o impacto da imigração é pequeno, e só perceptível em Madri e na região da costa mediterrânea. Mas os números nacionais não se aplicam à Catalunha, onde a sociedade e as escolas vêm passando por um processo de secularização muito mais intenso nos últimos anos. Menos de metade dos alunos das escalas catalãs optam por assistir às aulas de religião, e essa porcentagem se deve em larga medida à presença de um largo número de escolas católicas nas quais, em termos práticos, participar das aulas de religião é obrigatório.
Nas escolas públicas primárias, apenas 32% dos alunos participam das aulas de religião, na Catalunha, e o índice se reduz a apenas 15% nas escolas secundárias. Já em 2000, diante da persistência dessa queda, os professores de religião da região organizaram um movimento para alertar contra o desaparecimento do ensino religioso na região. Mas a situação melhorou, posteriormente.
Nas escolas onde existem alunos imigrantes, especialmente os latino-americanos, é perceptível um aumento na demanda por aulas de religião católica, mesmo que as famílias dessas crianças se declarem membros de outras religiões. A pesquisa da Ferc serve para ratificar essa constatação.
As aulas de religião parecem apropriadas aos imigrantes, e eles não se importam que elas girem em torno de uma determinada modalidade de religião. Em algumas escolas, de fato, as aulas de religião e as de cultura religiosa, que deveriam ser ministradas por professores de história ou filosofia, terminam se confundindo, diz Bernat Villaronga, da Ferc.
Maïsa Noguera, professora de religião do IES Milá i Fontanals, de Barcelona, sinaliza com toda naturalidade que "em minhas aulas temos alunos latino-americanos mais próximos das religiões evangélicas, e meninas paquistanesas e marroquinas de tradição muçulmana, algumas das quais assistem às aulas usando véus".
Susana Vila, vice-presidente da Ferc, considera que "a aula de religião se converteu, em muitos centros, em um instrumento de integração, e mais, em um dos poucos espaços da escola em que existe debate real entre os alunos imigrantes e os locais". A afirmação, surpreendente, é confirmada por outros professores, na pesquisa citada. "Ninguém gosta de dizê-lo porque é politicamente incorreto", afirma um deles. "Mas a integração nem sempre funciona. Pode-se perceber o fato nos pátios das escolas, onde os alunos imigrantes se agrupam em turmas por nacionalidade, se colocam em pontos separados e ocasionalmente se envolvem em confrontos com outros grupos".
"Para a maioria dos imigrantes, a religião é parte da identidade, e isso é perceptível", disse Villaronga. Já para os católicos, "é uma opção mais pessoal".
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
La Vanguardia