Violência no Paquistão é teste para aspirantes à Casa Branca

30 de dezembro de 2007 • 14h54 • atualizado às 15h02

A violência no Paquistão obrigou os pré-candidatos à presidência dos Estados Unidos a voltar seus olhares para a explosão de uma crise no exterior, em um momento político crucial, a poucos dias do início das primárias das eleições de 2008.

O assassinato da ex-primeira-ministra paquistanesa Benazir Bhutto comoveu os aspirantes à Casa Branca, muitos deles a conheciam pessoalmente, questionou suas habilidades para enfrentar uma crise e serviu de teste para suas capacidades geopolíticas.

A quatro dias das primárias no estado de Iowa para escolher os candidatos de cada partido, todos estão atentos a uma crise que serviu de impulso para alguns candidatos e afetou os outros.

Embora os acontecimentos no exterior possam parecer muito distantes para os eleitores do rural estado de Iowa, no centro-norte dos Estados Unidos, eles representam um campo minado para os pré-candidatos.

O ex-candidato democrata John Kerry culpou um explosivo vídeo de Osama bin Laden por sua derrota em 2004, em uma campanha eleitoral dominada pela "guerra contra o terrorismo".

Na quinta-feira, a postulante favorita do campo democrata, Hillary Clinton, falou de modo emocionado sobre sua amizade com Bhutto, mas foi cuidadosa para não despertar críticas de que era uma oportunista por incluir o tema na campanha pouco depois do ataque.

Porém, na sexta-feira, em um programa eleitoral do canal CNN, à frente de uma bandeira americana, conquistou as manchetes ao exigir uma investigação internacional do atentado e criticar a credibilidade do presidente do Paquistão, Pervez Musharraf.

Seu rival John Edwards, que rapidamente conversou por telefone com Musharraf para pedir uma resposta prudente ao homicídio, se mostrou um homem de fácil acesso ao poder ao redor do mundo.

O também democrata Barack Obama lamentou a morte de Bhutto, mas sua equipe se expôs a um ataque de Clinton, depois que um assessor afirmou que o voto da senadora autorizando a guerra do Iraque encorajou a Al-Qaeda.

Se o emergente pré-candidato republicano Mike Huckabee for derrotado, os fatos posteriores à morte de Bhutto poderão ser vistos como o momento em que ficou em evidência o que seus críticos qualificam como pobres credenciais em política externa.

Primeiro, Huckabee deu a entender que a lei marcial ainda estava em vigor no Paquistão, apesar da mesma ter sido suspensa. Depois cresceram as dúvidas sobre sua experiência em política externa, já que citou uma lista de importantes diplomatas americanos que o assessoravam, que desde então negaram o auxílio.

O jornal Washington Post elogiou as reações de Hillary, Edwards e do senador republicano John McCain, mas criticou Huckabee, que teria sido "reprovado espantosamente".

McCain foi capaz de falar com autoridade sobre Musharraf, Bhutto e a política do Pakquistão depois do atentado, o que reflete seus anos de envolvimento com crises políticas estrangeiras como senador, além das lições aprendidas na carreira militar, incluindo o período como prisioneiro na guerra do Vietnã.

Outros candidatos republicanos usam o assassinato para destacar que já haviam alertado para o crescimento do fascismo islâmico, o que na opinião deles seria ignorado pelos democratas.

O ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani aproveitou a oportunidade para voltar às manchetes, depois que sua campanha, baseada em grande parte em sua firme liderança depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, parecia patinar nas últimas semanas.

Giuliani qualificou o atentado como um "acontecimento terrível, horrível e trágico", depois de argumentar que o mesmo mostra a necessidade de que os americanos permaneçam na "ofensiva na guerra dos terroristas contra nós".

O rival de Guiliani no Partido Republicano Mitt Romney também afirmou que o "terrível e devastador" atentado no Paquistão mostra que persiste o perigo terrorista.

Outros pré-candidatos, como os senadores democratas Chris Dodd e Joseph Biden, e o ex-embaixador na ONU Bill Richardson também tentaram usar a crise para exibir suas credenciais na política externa.

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