Christina Copeman tinha vida solitária e sua morte só foi descoberta pela polícia 18 meses depois |
Andy Newman
Estados Unidos
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Assim, quando Copeman sumiu de vista completamente, as pessoas não tiveram suspeitas imediatas. Imaginaram que talvez tivesse voltado a Trinidad, em férias. Talvez tivesse adoecido lá, ou decidido ficar na ilha. Isso aconteceu um ano e meio atrás. Do lado de fora da asseada casinha de tijolos de Copeman, na rua 92, o tempo passou, o verão e o inverno se alternaram.
Cartas se acumulavam na varanda de entrada, por trás da porta de vidro. Os vizinhos recolhiam o lixo que encontravam na varanda, para evitar que ela fosse multada. Copeman estava na casa, morta, deitada em posição fetal no corredor do andar superior.
Foi lá que a polícia encontrou seus restos mortais, já em forma de esqueleto, na manhã de segunda-feira, segundo Peter Bishop, seu sobrinho. Ela estava vestida para sair, com um casaco e boina. "Roupas de inverno", ele disse, na terça-feira. "Acredito que ela tenha morrido no inverno".
Copeman morreu de uma doença cardíaca, determinou o legista na terça-feira. A polícia estima que a morte tenha ocorrido entre 12 e 18 meses atrás. Parece impossível que uma pessoa suma dessa maneira, morta em casa sem que ninguém perceba. Nova York é uma cidade grande, mas só parece impessoal para quem a observa de longe. As pessoas têm vizinhos. Parentes.
Mas Christina Copeman, que hoje teria 70 anos, conseguiu escapar a todas essas redes de contatos exercendo a força de vontade. "É uma vergonha", diz sua vizinha Ruby Fulmer, 92 anos, professora de enfermagem aposentada que diz que estava tentando resolver o mistério da ausência de Copeman há mais de um ano. "Mas acredito que também seja resultado da maneira pela qual ela viveu os anos finais de sua vida". Althea Bishop, cunhada de Copeman, diz que não conseguiu descobrir como ajudar.
"O que eu podia fazer, ligar para a polícia e dizer que havia uma senhora naquela casa que não queria falar com ninguém?", ela questiona. "Se ela não pudesse andar, enxergar ou ouvir, tudo bem. Mas ela estava bem. Simplesmente não queria contato conosco".
Outra vizinha, Dolores Harvey, que diz ter ligado para a delegaria local de polícia no terceiro trimestre de 2006 depois de sentir um mau cheiro intermitente vindo da casa de Copeman, conta que dois policiais foram ao local no dia seguinte e não sentiram nenhum cheiro suspeito. "Eles disseram que, caso ela tivesse morrido dentro da casa, seria possível sentir o cheiro", disse Harvey, 49 anos. "Eles disseram que não podiam fazer coisa alguma; não tinham o direito de derrubar a porta".
Paul Browne, porta-voz do departamento de polícia, disse na terça-feira que policiais haviam revisado os últimos 20 meses de registros quanto ao endereço de Copeman e que não haviam encontrado nenhuma referência anterior ao sábado passado, quando a polícia foi à casa, a pedido de Peter Bishop, mas não arrombou a porta. Quando Bishop foi com os policiais à casa, na segunda-feira, eles forçaram a entrada e a encontraram morta lá dentro.
Copeman, que veio como imigrante de Trinidad quando era adolescente e trabalhou por muitos anos em um banco de Manhattan, sempre foi uma mulher silenciosa, dizem vizinhos e parentes. "Ela só gostava de trabalhar, e passava seu tempo livre em casa; não recebia muitas visitas", disse Peter Bishop, 50, que viveu com os Copeman nos anos 70. "Ela assistia a um pouco de televisão. Lia histórias de amor".
Depois que seu marido, Joseph Copeman, a deixou, na década de 80, ela se tornou ainda mais retraída e deprimida, disse Fulmer. Depois, Joseph Copeman e o pai de Christina morreram, em rápida sucessão. Não demorou, diz Fulmer, para que "ela deixasse de conversar com todo mundo. Eu a via parada na escada da varanda e a cumprimentava, e ela virava a cabeça. Se você a visse chegando, lá pela metade do quarteirão, e chamasse, pedindo que esperasse, ela desviava o olhar e saía caminhando na direção oposta".
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
The New York Times