Intelectuais africanos e europeus atacam líderes políticos

03 de dezembro de 2007 • 14h29 • atualizado às 14h36

Africanos vencedores do prêmio Nobel e intelectuais deste continente e da Europa publicaram uma carta na qual atacam a "covardia" de seus líderes políticos por não incluírem os casos de Darfur (Sudão) e do Zimbábue entre os principais temas a serem tratados na conferência entre União Européia (UE) e África.

A carta, assinada por escritores como Vaclav Havel, Wole Soyinka, Nadine Gordimer, John M. Coetzee e Günter Grass, critica os políticos dos dois continentes por não enfrentarem "duas das piores crises mundiais" na cúpula de chefes de Estado e de Governo que será realizada nos próximos dias 8 e 9 em Lisboa.

"Esperamos dos líderes que liderem e que o façam com coragem moral. Se falharem, todos saem moralmente enfraquecidos", diz a carta enviada hoje a todos os chefes que irão à cúpula, a primeira deste porte desde 2000.

Elaborada também pelo moçambicano Mia Couto, pelo nigeriano Ben Okri e pelo irlandês Roddy Doyle, a carta defende que é "impossível" inaugurar uma nova era de amizade entre Europa e África enquanto Darfur e Zimbábue continuarem sendo ignorados.

"Por que devemos escutar os poderosos quando eles se fazem de surdos para os gritos dos aflitos? Milhões de africanos e europeus esperavam contar com Zimbábue e Darfur entre os temas principais da agenda. Ainda não é tarde demais".

Segundo o nigeriano Soyinka, Prêmio Nobel de Literatura em 1986, a cúpula África-UE apresenta uma "oportunidade para tratar das grandes questões que afetam" os cidadãos.

"No entanto, antepondo seu desejo de evitar um confronto ao sofrimento de milhões de pessoas, nossos líderes estão desperdiçando esta oportunidade e prejudicando todos", critica o escritor.

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