» Paris: morte de jovens causa distúrbios
Policiais afirmaram que um dos feridos levou um tiro pelas costas. Seis pessoas foram detidas e 63 veículos foram incendiados nos locais onde houve distúrbios. Além disso foram destruídos um supermercado, duas escolas, uma biblioteca e escritórios fiscais.
A ministra de Interior, Michèle Alliot-Marie, mostrou hoje preocupação com o uso de armas de fogo pelos jovens, que "atiram balas de chumbo" contra os policiais, causando ferimentos graves.
Alguns tiveram lesões "no rosto, perto dos olhos". "É um fenômeno inquietante. Mostra sobretudo que alguns exploram os acontecimentos com finalidades muito diferentes", afirmou a ministra à emissora RTL, pedindo ajuda à população para "isolar os delinqüentes".
Segundo o sindicato policial Synergie, 77 policiais ficaram feridos, "número poucas vezes alcançado em distúrbios", disse seu secretário-geral Patrice Ribeiro na rádio.
Para o sindicato, a presença de armas de fogo torna a situação pior do que em 2005, quando uma onda de violência assolou subúrbios do país durante três semanas.
Alliot-Marie defendeu a necessidade de tomar medidas para "impedir os ataques aos policiais. As medidas incluirão uma forte presença de agentes no local".
Da China, onde encerra uma visita hoje, o presidente Nicolas Sarkozy ligou para Alliot-Marie, sua sucessora na pasta do Interior, para fazer "recomendações" em relação aos distúrbios.
Os tumultos começaram no fim da tarde e duraram até 1h da madrugada (22h de segunda-feira, em Brasília), em bairros em torno de Villiers-le-Bel. Os incidentes na localidade, cerca de 20 km a norte de Paris, começaram no domingo, após a morte de dois adolescentes cuja moto bateu num carro de polícia.
Houve confrontos entre jovens e policiais pela segunda noite seguida, bem perto do lugar onde morreram os dois jovens, Moushin e Larami. Os grupos lançaram projéteis de todos os tipos contra os agentes, que responderam com gás lacrimogêneo e balas de borracha.
Os atacantes, protegidos atrás de contêineres de lixo, incendiaram um ônibus e um carro da Polícia.
Apesar de os distúrbios terem se concentrado no departamento de Val d''Oise (Villiers-le-Bel, Sarcelles, Garges-les-Gonesse, Cergy e Goussainville principalmente), também houve incidentes em Mureaux, no departamento de Yvelines, perto de Paris.
A delegação do governo de Seine-Saint-Denis, principal foco da onda de distúrbios de dois anos atrás, afirmou que a situação tinha sido "tranqüila" durante a noite.
Um porta-voz das famílias dos mortos em Villiers-le-Bel pediu publicamente que seja feita "justiça com calma e serenidade, que a investigação seja realizada sob o controle de um juiz instrutor, e que sejam respeitadas as leis da República".
Os pais dos jovens mortos pediram que seus filhos sejam lembrados "sem violência, sem distúrbios, respeitando a legalidade".
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