Chávez recusa-se a falar com a Espanha sem desculpas do rei

20 de novembro de 2007 • 14h23 • atualizado às 16h44
Hugo Chávez fala em entrevista coletiva em Paris Foto: AP
Hugo Chávez fala em entrevista coletiva em Paris
20 de novembro de 2007
Foto: AP

Lúcia Jardim
Direto de Paris

França


Numa entrevista coletiva marcada pela desorganização e por um atraso de mais de uma hora, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse, em Paris, que não aceitaria qualquer diálogo com o governo espanhol se antes o rei Juan Carlos não pedir desculpas por tê-lo mandado calar-se, durante a XVII Cúpula Ibero-americana, no Chile.

» Chávez diz que rei espanhol errou ao mandá-lo se calar
» Chávez promete prova de vida de Betancourt

Segundo Chávez, o governo espanhol teria entrado em contato com ele para que ambos os países redigissem um "comunicado comum" para esclarecer o acontecimento, mas o presidente venezuelano teria recusado a proposta. "A sorte foi que eu não ouvi a ordem do rei para que se calasse. Deus é sábio no que faz", afirmou Chávez para uma platéia de jornalistas do mundo todo.

O líder venezuelano esteve em Paris para se encontrar com o colega francês, Nicolas Sarkozy, e tratar sobre possíveis soluções para o seqüestro da franco-colombiana Ingrid Betancourt, detida pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) há mais de quatro anos.

Depois de criar expectativa de que traria a Sarkozy e à família de Ingrid uma prova de vida da ex-senadora, Chávez levou aos franceses apenas a promessa de que até o final do ano poderá apresentar a tal prova. "O caminho está aberto e eu estou pronto para ir pessoalmente negociar com os líderes das Farc. Já recebi deles a promessa de que até o fim do ano teremos uma prova de vida de Ingrid Betancourt e de outros reféns", afirmou Chávez.

Ele diz contar com o apoio formal do governo colombiano para que seja um mediador entre a organização de extrema-esquerda e o poder. "O próprio presidente Álvaro Uribe me fez este pedido e me assegurou que ele também poderia ir pessoalmente, junto comigo, para tentarmos chegar a um acordo, pois este conflito não afeta apenas a Colômbia. Afeta também a Venezuela e toda a América Latina", prosseguiu o venezuelano.

Chávez ainda falou sobre a união da América Latina em torno de um bloco comum e a possível adoção, no futuro, de uma moeda única na América Latina, em substituição ao dólar para as transações comerciais de exportação e importação entre os países.

"Teremos uma moeda forte. É um projeto latino-americano ter uma moeda única." Sobre o encontro com Sarkozy, Chávez se demonstrou satisfeito e disse que "nasce uma relação de amizade" entre ambos. "O apoio dele é muito importante para relaxarmos os pontos mais difíceis da negociação, e nós discutimos diversas possibilidades para agir daqui para a frente", contou Chávez, sem especificar que formas seriam estas.

Os filhos, o marido e o ex-marido de Ingrid Betancourt estavam presentes na coletiva de imprensa e, antes disso, haviam se encontrado com os dois presidentes, o venezuelano e o francês, para discutir a questão do seqüestro.

Mélanie Déloye, filha de Ingrid, disse que se sente mais tranqüila pelo engajamento dos dois líderes de governo. "Não era exatamente o que esperávamos, já que ele não trouxe uma prova de vida, mas já fico mais tranqüila e confiante no futuro. Continuamos na expectativa de uma solução em breve para este pesadelo", declarou Mélanie.

Redação Terra
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »