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Chávez diz que rei teve sorte, mas nega conflito

13 de novembro de 2007 19h32 atualizado às 22h24

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse que o rei da Espanha, Juan Carlos, "teve sorte" de não ter sido ouvido pelo mandatário venezuelano quando disse a ele que calasse a boca durante a Cúpula Ibero-americana, no Chile, no último fim de semana.

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"O rei teve sorte porque eu não o escutei. Eu poderia ter sido muito duro na resposta", disse Chávez. "Eu não quero conflito com o rei", afirmou o venezuelano. "Alguns dizem que desrespeitei o rei. Eu nem ouvi o rei. Só vi depois o que ele tinha dito."

Chávez disse ainda que considerou que o "pedido" do rei espanhol foi endereçado não apenas a ele. "Acredito que nós estivemos muito tempo calados", afirmou. "Há 500 anos, aqui nestas terras, se levantou um grito de rebeldia, e da Madri imperial saiu a ordem de que nos calássemos."

"A Fidel Castro e a mim, eles agüentavam. Mas agora chegou Evo Morales, Daniel Ortega, Lula", acrescentou. "Ele estava cansado de ouvir a todos. O cale-se foi para todos nós." "Nós não somos seus súditos, se é que ele ainda nos vê assim", completou.

O incidente entre o rei espanhol e Chávez ocorreu depois que o líder venezuelano chamou o ex-primeiro-ministro espanhol José María Aznar de "fascista". "Fascistas não são humanos. Cobras são mais humanas", teria dito Chávez sobre Aznar, que durante sua gestão foi um forte aliado dos Estados Unidos.

O atual primeiro-ministro espanhol, o socialista Jose Luis Rodríguez Zapatero, saiu em defesa de Aznar dizendo que ele havia sido eleito "democraticamente pelo povo e foi um representante legítimo do povo espanhol".

Chávez tentou interromper Zapatero diversas vezes, apesar de estar com o microfone desligado. Ao assistir à cena, o rei dirigiu-se a Chávez e disse: "Por que não te calas?". Nesta terça-feira, o presidente venezuelano disse não ter entendido a reação de Zapatero.

"Acho que nem o povo espanhol entendeu", afirmou Chávez. "Zapatero defendendo Aznar com uma tese débil, insustentável. O fato de que o elegeram lhe dá o direito de ofender governos e povos?" Sobre uma suposta crise diplomática e a saída de empresas espanholas do país, Chávez disse que "não é imprescindível o investimento espanhol". "A Venezuela se respeita, e o chefe de Estado venezuelano fará respeitar esse país", concluiu.

BBC Brasil
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