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 Chávez diz que não ouviu rei pedindo que se calasse
12 de novembro de 2007 06h40 atualizado às 09h03

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, comentou a polêmica em que se viu envolvido na reunião de cúpula Ibero-Americana de Santiago com o presidente do governo espanhol José Luis Rodríguez Zapatero e o rei Juan Carlos I. Ao desembarcar em Caracas do domingo à noite, Chávez disse que não ouviu quando o monarca mandou que calasse a boca.

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"O certo é que não ouvi. Teve sorte o senhor Juan Carlos. Eu não sei o que teria dito a ele. Agora, não há nenhuma dúvida de que quando Juan Carlos de Borbón explora as expressões de um índio, está explorando 500 anos de prepotência imperial", disse Chávez.

Além do comentário, Chávez aproveitou a oportunidade para confirmar que viajará ao Irã, França e Portugal depois de uma reunião da Opep, dias 17 e 18 de novembro em Riad, Arábia Saudita.

Chávez, que recebeu o apoio do presidente colombiano, Álvaro Uribe, para mediar a negociação de uma troca humanitária com a Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), pretende apresentar ao presidente da França, Nicolas Sarkozy, uma prova de vida da ex-candiata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt.

Golpe em 2002
Em outra entrevista no Chile, no domingo, Chávez também exigiu esclarecimentos sobre se o monarca sabia do golpe de Estado que afastou o presidente venezuelano do poder durante algumas horas em 2002.

"Esse incômodo do rei, essa fúria de sua majestade surpreende a estas alturas. Surpreende em um homem tão maduro quanto ele, em um homem que se supõe sábio, não enviado de Deus, como antes se dizia", afirmou Chávez a jornalistas antes de partir do Chile.

Em repetidas ocasiões durante a cúpula, o presidente esquerdista qualificou de "fascista" o ex-premiê espanhol José María Aznar, o que incomodou a delegação espanhola e provocou a insólita reação do rei, respaldada por alguns países da região, como Peru e Chile. "Agora eu me pergunto neste momento se aquele rei sabia do golpe contra mim em 2002. Senhor rei, me responda, o sr. sabia do golpe de Estado contra a Venezuela, contra o governo democrático e legítimo da Venezuela em 2002?", acrescentou Chávez.

O presidente acusa os Estados Unidos e o governo Aznar de ter apoiado o golpe que o afastou do cargo em 2002. Na época, os embaixadores norte-americano e espanhol em Caracas assistiram à cerimônia de posse de uma efêmera junta de governo civil-militar.

Chávez conversou por mais de uma hora com jornalistas, e foram frequentes as alusões à conquista espanhola da América e à imagem que os monarcas promoveram séculos atrás no continente.

"Ontem (sábado) eu via as imagens do rei alterado. Bom, os reis também se alteram, então. Conclusão: são seres humanos, de carne e osso. Porque antes se dizia aos índios daqui que o rei era enviado de Deus."

Horas mais tarde, o governo chileno manifestou apoio ao rei, a Zapatero e a Aznar. "Foi uma cena muito lamentável", disse o chanceler Alejandro Foxley à TV pública local. Na opinião dele, Juan Carlos "é uma grande figura da democracia espanhola", e seu país é "um aliado estratégico" do Chile.

AFP
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