Os encontros desta sexta-feira em Santiago e o que está previsto para o dia 12 de dezembro em La Paz servirão para consolidar as relações bilaterais que sofreram altos e baixos desde a nacionalização pela Bolívia dos hidrocarbonetos no ano passado.
A suspensão dos investimentos na Bolívia da estatal brasileira Petrobras e de outras companhias estrangeiras comprometeram a produção de gás natural boliviano, que tem a maior parte destinada à exportação para o Brasil e a Argentina.
Os brasileiros compram diariamente na Bolívia entre 25 e 30 milhões de m³ de gás natural, 50% de seu consumo total, e não podem arriscar perder o fornecimento, que poderia provocar um colapso energético.
Lula, que insiste em negar essa possibilidade, proclamou antes da viagem a Santiago que "é necessário acreditar que não haverá crise energética" e afirmou que o Brasil "tem energia garantida até 2012. Vamos encontrar e comprar o gás que precisamos".
No entanto, depois de um corte de fornecimento de gás natural esta semana por parte da Petrobras aos estados de Rio de Janeiro e São Paulo, que provocou problemas nas indústrias, o presidente deu um puxão de orelhas na empresa estatal.
"O governo não manda na Petrobras, mas ela deve saber que está subordinada a seu acionista majoritário. que é o governo. Logo, debe consultá-lo em algumas decisões", disse Lula.
A Petrobras pensa em investir novamente na Bolívia, disse em La Paz o presidente da empresa, Sérgio Gabrielli. Por outra parte, Lula chegará em 12 de dezembro à Bolívia para assinar com Morales um crédito por 35 milhões destinado à compra de tratores por parte de La Paz.
É possível que o presidente viaje com uma delegação de empresários, dispostos a investir na industrialização do gás boliviano.
Segundo Morales, "esperamos que os acordos sejam de estado a estado, se houver empresários dispostos a investir, e que seriam bem-vindos, desde que respeitem as leis bolivianas e garantam investimentos".
Segundo Morales, a Bolívia "necessita bilhões de dólares" para explorar sua riqueza gasífera, estimada em 1,36 bilhão de metros cúbicos.
O Brasil condiciona descongelar seus investimentos na Bolívia às "garantias" oferecidas pelo governo de La Paz.
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