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Lula-Evo: expectativa com o gás no Brasil e investimentos na Bolívia

09 de novembro de 2007 16h38

Por Uncas Fernandez SANTIAGO, 9 Nov 2007 (AFP) - Os presidentes brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e boliviano, Evo Morales, se reúnem nesta sexta-feira em Santiago à margem da XVII Conferência Ibero-Aamericana, em meio à expectativa de garantir o fornecimento de gás ao Brasil e abrir novos investimentos na Bolívia.

Os encontros desta sexta-feira em Santiago e o que está previsto para o dia 12 de dezembro em La Paz servirão para consolidar as relações bilaterais que sofreram altos e baixos desde a nacionalização pela Bolívia dos hidrocarbonetos no ano passado.

A suspensão dos investimentos na Bolívia da estatal brasileira Petrobras e de outras companhias estrangeiras comprometeram a produção de gás natural boliviano, que tem a maior parte destinada à exportação para o Brasil e a Argentina.

Os brasileiros compram diariamente na Bolívia entre 25 e 30 milhões de m³ de gás natural, 50% de seu consumo total, e não podem arriscar perder o fornecimento, que poderia provocar um colapso energético.

Lula, que insiste em negar essa possibilidade, proclamou antes da viagem a Santiago que "é necessário acreditar que não haverá crise energética" e afirmou que o Brasil "tem energia garantida até 2012. Vamos encontrar e comprar o gás que precisamos".

No entanto, depois de um corte de fornecimento de gás natural esta semana por parte da Petrobras aos estados de Rio de Janeiro e São Paulo, que provocou problemas nas indústrias, o presidente deu um puxão de orelhas na empresa estatal.

"O governo não manda na Petrobras, mas ela deve saber que está subordinada a seu acionista majoritário. que é o governo. Logo, debe consultá-lo em algumas decisões", disse Lula.

A Petrobras pensa em investir novamente na Bolívia, disse em La Paz o presidente da empresa, Sérgio Gabrielli. Por outra parte, Lula chegará em 12 de dezembro à Bolívia para assinar com Morales um crédito por 35 milhões destinado à compra de tratores por parte de La Paz.

É possível que o presidente viaje com uma delegação de empresários, dispostos a investir na industrialização do gás boliviano.

Segundo Morales, "esperamos que os acordos sejam de estado a estado, se houver empresários dispostos a investir, e que seriam bem-vindos, desde que respeitem as leis bolivianas e garantam investimentos".

Segundo Morales, a Bolívia "necessita bilhões de dólares" para explorar sua riqueza gasífera, estimada em 1,36 bilhão de metros cúbicos.

O Brasil condiciona descongelar seus investimentos na Bolívia às "garantias" oferecidas pelo governo de La Paz.

uf/yw/sd

AFP
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