Confundido com terrorista, Jean Charles foi baleado quando entrava numa estação de metrô
Foto: AP
A polícia de Londres foi considerada culpada por colocar a segurança do público em risco no episódio que resultou na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes. Menezes foi confundido com um dos suspeitos dos ataques ao transporte público da capital britânica em 21 de julho de 2005. O eletricista foi baleado quando entrava em estação de metrô no dia seguinte.
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Jean Charles foi confundido com um dos suspeitos pelos atentados a bomba fracassados no sistema de transporte de Londres no dia anterior. A comandante da polícia que estava a cargo da operação, Cressida Dick, foi isenta de qualquer responsabilidade individual.
O juiz instrutor do processo, Richard Henriques, impôs à Scotland Yard o pagamento de uma multa de 175 mil libras (US$ 363.930) e dos custos judiciais, de 375 mil libras (US$ 779.850). No entanto, os advogados da instituição já disseram que apresentarão um recurso de apelação.
O juiz encarregado do processo concluiu o sumário ontem e o enviou para o júri iniciar as deliberações, segundo informações do tribunal Old Bailey, onde o julgamento foi aberto em 1º de outubro. A Scotland Yard é acusada de infrações à saúde e à segurança na operação em que Jean Charles foi executado ao ser confundido com um terrorista.
Em seu sumário, o juiz afirmou aos 11 membros do júri que a polícia "não está acima da lei" e que seu veredicto diz respeito às acusações da promotoria de que a polícia realizou "tão mal" sua operação que o público correu riscos e que Jean Charles resultou morto. "A polícia, assim como qualquer funcionário público, deve prestar contas", afirmou o magistrado, depois de ouvir as alegações da acusação e da defesa durante quatro semanas de depoimentos no tribunal criminal de Londres.
O advogado da Scotland Yard alegou que condenar a polícia colocava em perigo a própria organização. Mas o juiz foi firme ao rejeitar essa afirmação. "Sugerir que é errôneo condenar a polícia equivale a dizer que a polícia está acima da lei", enfatizou.
Promotoria decidiu não processar policiais
A família Menezes, que afirma que o incidente foi um assassinato e que o chefe da polícia, Sir Ian Blair, foi o responsável, perdeu em dezembro uma apelação na Alta Corte de Londres, contra a decisão da promotoria de não processar individualmente os 15 policiais envolvidos na morte, por falta de provas.
Com agências internacionais
- Redação Terra


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