Alta de alimentos é tema de eleição argentina

25 de outubro de 2007 • 12h38 • atualizado às 15h16

Robert Mur
Direto de Buenos Aires

Argentina


Na terça-feira, 1 kg de batatas custava 4,50 pesos na mercearia localizada na esquina das ruas Cabildo e Newbery, em um bairro de classe média de Buenos Aires. Em janeiro, o preço era de 1 peso. O preço da batata chegou a 5 pesos por kg em algumas lojas da Argentina, esta semana. O montante equivale a 1,14 euros, bem acima do preço cobrado pelo mesmo produto em um mercado de Barcelona, 80 centavos de euro.

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O aumento descontrolado no preço de alguns alimentos é prova da inflação incontida que a Argentina vem sofrendo, a qual se converteu em um dos principais temas da campanha eleitoral para a eleição presidencial de domingo.

Algumas associações de consumidores deram início a um boicote à compra de batatas e abóboras, que se estenderá até sexta-feira. O kg da abóbora agora custa 10 pesos, ante 1,70 peso em janeiro. Os responsáveis pela iniciativa esperam conseguir êxito semelhante ao de uma campanha promovida semanas atrás, na qual um boicote à compra de tomates conseguiu reduzir o preço de 15 pesos (2,4 euros) por kg à metade.

O protesto conta com a adesão dos chamados "supermercados chineses", lojas que, dirigidas por imigrantes dessa nacionalidade, controlam a maior parte das vendas de alimentos frescos no varejo da capital argentina. O porta-voz desses comerciantes, Miguel Calvete, pede pela "aplicação coerente de subsídios, porque 80% das frutas e verduras são vendidas no comércio de bairro".

Calvete se refere às subvenções que o governo está distribuindo nas últimas semanas para tratar de conter a crescente indignação dos consumidores. De acordo com ele, os subsídios chegam, no máximo, aos hipermercados, que, nesses dias que precedem a eleição, exibem ostensivamente em suas prateleiras cartazes com os dizeres "preço acordado com o governo". Isso leva, por exemplo, um pacote de dois iogurtes a cair de 1,89 para 1,81 peso.

O problema de fundo continua a ser a manipulação dos dados do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), compilado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censo (Indec). O órgão perdeu toda sua credibilidade desde que, no começo do ano, o presidente Néstor Kirchner decidiu, por intermédio de seu ministro de Comércio, intervir grosseiramente nos cálculos para que os preços se ajustassem ao discurso oficial sobre o progresso econômico.

De acordo com o Indec, a inflação este ano não chegou até agora aos 7%, o que deve garantir que siga o caminho predestinado de não superar os 10% até dezembro, uma meta mencionada pela candidata favorita à presidência, Cristina Fernández de Kirchner, mulher do presidente. Mesmo assim, consultores privados, organizações empresariais e sindicatos mantêm sistemas próprios de avaliação de preços os quais, em certos casos, são duas vezes mais altos que os números mascarados pelo governo, e atingem patamares elevados de entre 14% e 20%.

Enquanto isso, de acordo com o Indec e o governo Kirchner, 1 kg de batata custa 1,45 pesos.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

La Vanguardia
 
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