EUA: caçador de espiões treina jogadores de pôquer

24 de outubro de 2007 • 12h35 • atualizado às 12h35

Eusebio Val

Estados Unidos


Joe Navarro trabalhou nos casos mais célebres de combate à espionagem das últimas décadas, nos Estados Unidos. Ajudou a desmascarar Aldrich Ames, em 1994, e Robert Hanssen, em 2001. Ambos estão cumprindo longas sentenças de prisão por vender segredos aos russos, traindo muitos agentes da Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana. Navarro, que trabalhou para o Serviço Federal de Investigações (FBI) por 25 anos, e chegou a ser o seu maior especialista em linguagem corporal, agora se dedica a dar aulas - também na CIA e no FBI - e a treinar jogadores profissionais de pôquer, ajudando-os a descobrir se o comportamento do adversário indica que tipo de cartas o jogador tem em mãos e a aprender a esconder seus sentimentos.

Em conversa telefônica, de Tampa, na Flórida, Navarro atribui parte de sua habilidade à experiência pessoal. Nascido em Cuba, ele emigrou para os Estados Unidos em 1961, depois da fracassada invasão na Baía dos Porcos, quando tinha oito anos de idade. "Já que cheguei aqui como exilado, sem saber falar inglês, tive que me adaptar ao que eu entendia, e o que eu mais entendia era a linguagem corporal", afirmou. "Isso me ajudou a desenvolver um sexto sentido para certas coisas".

O ex-agente do FBI é um dos mais apreciados professores da World Series of Poker Academy, uma organização que promove cursos de dois ou três dias de duração para preparar jogadores. Em breve, novos cursos serão realizados em Las Vegas com a presença de alunos espanhóis. Os conhecimento dele estão revolucionando o setor, que vive um momento muito positivo devido ao faturamento milionário propiciado por transmissões de TV e pela popularidade do pôquer na Internet.

"O pôquer é um jogo de mentiras", explicou Navarro. "Usamos o blefe, de um modo nada diferente do que fazem os espiões. Muitos jogadores aprendem a controlar suas expressões, têm a famosa 'cara de pôquer', mas se esquecem do resto do corpo - não têm um 'corpo de pôquer'. Quando seu jogo é bom, eles se ajeitam na cadeira, endireitam as costas. Isso é algo que fazemos sempre que nos sentimos bem. Quando as cartas são ruins, a pessoa não as protege; se, pelo contrário, são boas, a tendência é de que as proteja".

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

La Vanguardia
 
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