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 Jean Charles: policial diz que repetiria ordens
23 de outubro de 2007 14h53 atualizado às 15h04

A chefe da operação da Scotland Yard em que Jean Charles de Menezes foi morto declarou nesta terça-feira, no tribunal de Londres, que voltaria a fazer tudo da mesma forma e que daria as mesmas ordens que deu em 22 de julho de 2005, quando o brasileiro foi crivado de balas ao ser confundido com um terrorista.

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"Em relação às minhas próprias decisões, sabendo o que agora sei e o que me foi dito nesse momento, não mudaria minhas decisões", afirmou Cressida Dick falando à corte de Old Bailey, onde transcorre o julgamento da Scotland Yard pela morte do eletricista inocente.

"Pensamos centenas e centenas de vezes que poderia ter sido diferente, o que poderia ter sido feito para que Jean Charles estivesse ainda com vida", afirmou a chefe da operação, que deu as ordens aos policiais de uma sala de controle da Scotland Yard.

Na semana passada, Cressida Dick - a única policial que até agora não falou sob a condição de anonimato - negou na corte ter dado a ordem de matar o homem que a polícia pensava que era um terrorista, e disse que só ordenara que ele fosse detido.

Ninguém até agora assumiu a ordem de atirar para matar o brasileiro e os dois policiais que o abateram não vão depor no julgamento em que a polícia metropolitana britânica está sendo processada por infrações à saúde e à segurança pública por causa desta operação malsucedida.

Os familiares de Jean Charles alegam que ele foi assassinado e que os responsáveis permanecem impunes. Há quatro semanas, o tribunal criminal de Londres ouve testemunhos que estão comprovando o caos na operação da Scotland Yard em relação ao caso Jean Charles.

O júri já ouviu os depoimentos de vários policiais, médicos legistas e advogados, e assistiu aos vídeos das últimas cenas da operação que matou o brasileiro duas semanas depois de quatro camicases terem matado 52 pessoas na rede de transporte da capital britânica.

Nestas semanas, o júri ouviu testemunhos que evidenciam alguns "erros catastróficos" cometidos pela Scotland Yard na operação. Entre eles, vários policiais admitiram que poderiam ter detido Jean Charles várias vezes, mas foram impedidos, até que a unidade de elite interveio e o matou com sete tiros na cabeça.

A corte ouviu também vários policiais que defenderam a atuação da Scotland Yard. "Fizemos esta operação para proteger o público", afirmou um policial identificando-se como Ralph. Ele falou, assim como todos os policiais que deram depoimento, atrás de uma cortina preta e usando um falso nome.

Segundo um especialista em arma de fogo, os policiais dispararam oito vezes contra Jean Charles, quando ele já estava jogado no chão do vagão do metrô. Eles usaram balas destinadas a provocar morte imediata.

AFP
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