Comunistas chineses querem promover "harmonia social"

16 de outubro de 2007 • 17h47 • atualizado às 17h47

Bruno Philip

China


Ao pronunciar um discurso de duas horas e meia na abertura do 17° congresso do Partido Comunista (PC) chinês, o presidente da China, Hu Jintao, enfatizou a necessidade de corrigir o impacto social negativo do crescimento, prometeu reforçar a defesa do meio ambiente e apelou por esforços de combate à corrupção. Ele também declarou que está interessado em firmar um "acordo de paz" com Taiwan, mas acrescentou que a independência da ilha "jamais será tolerada".

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Hu, que também serve como secretário geral do PC, afirmou que a decolagem da China foi realizada a "custo excessivo em termos de recursos e de nosso meio ambiente. O desenvolvimento das cidades e das aldeias, da economia e da sociedade, se desequilibrou", ele afirmou, acrescentando que "os esquemas de desenvolvimento precisam ser reformulados de maneira significativa".

O grande congresso qüinqüenal do PC chinês serve de ocasião, aos cerca de dois mil delegados participantes, para reeleger o comitê central, encarregado de selecionar os integrantes do Politburo e de garantir que o líder do partido mantenha o controle sobre o aparelho político. O anúncio, na véspera do evento, de que os conceitos de "harmonia social" e "desenvolvimento científico", caros a Hu, serão inscritos na Constituição, com importância semelhante ao "pensamento de Mao Tsé-Tung", demonstra as prioridades do secretário geral.

Mesmo que a margem de manobra política de que ele dispõe se tenha reduzido com relação à de seus predecessores, em razão da adoção de um processo de decisão mais consensual, que requer negociações e compromissos, não resta dúvida de Hu será "reeleito" para novo mandato de cinco anos, ao final do congresso.

A insistência do líder chinês quanto aos riscos do crescimento excessivo se opõe diretamente ao discurso de seu predecessor no posto, Jiang Zemin, que ainda mantém alguns partidários em posições de influência. Enquanto Jiang defendia o crescimento a qualquer preço, Hu é consciente de que o sucesso registrado no plano econômico não basta para encaminhar o país na direção da "prosperidade média" que constitui uma das perspectivas de desenvolvimento do partido para o ano de 2020. Ao acentuar a necessidade de desenvolver o mercado interno, que é ainda incipiente, o líder do PC dá a entender que os investimentos e a exportação não podem, por si, garantir um desenvolvimento "harmonioso e científico". Ele anunciou que a renda per capita do país precisa quadruplicar, daqui a 2020.

No plano político, Hu manteve a prudência característica, anunciando "reestruturações" e apelando por mais democracia, especialmente de base, mas prevenindo que é necessário "manter a orientação política correta". Em um momento no qual alguns intelectuais "liberais" do partido defendem democratização e maior abertura, o presidente recordou, como sublinhou o porta-voz do congresso, que a China não se transformará em um sistema democrático à maneira ocidental.

A corrupção continua a ser um dos mais presentes obstáculos a essa "harmonia" tão desejada. "Punir de maneira resoluta e prevenir de maneira eficaz a corrupção é uma tarefa política fundamental, porque dela depende o apoio da população ao partido e a sobrevivência deste", preveniu Hu.

Quanto a Taiwan, embora as declarações e os gestos pró-independência do presidente da ilha incomodem a liderança chinesa, Hu demonstrou certa moderação, apelando por "uma discussão sobre o fim formal das hostilidades e a negociação de um acordo de paz". A situação se agravou entre as duas Chinas, recentemente, quando o presidente taiuanês Chen Sui-bian repetiu sua intenção de promover um referendo que, aos olhos dos comunistas da China, seria quase uma declaração formal de independência, e seria motivo de ataque. O líder chinês declarou que "a China jamais permitirá que qualquer pessoa separe Taiwan da pátria".

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

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