Cubanos tentam entrar nos EUA por ilha turística

16 de outubro de 2007 • 12h48 • atualizado às 12h48
Policial mexicano fiscaliza imigrantes que tentam chegar aos EUA
Policial mexicano fiscaliza imigrantes que tentam chegar aos EUA
16 de outubro de 2007
The New York Times

Marc Lacey
Direto de Cortes

Estados Unidos


Os cubanos estão migrando para os Estados Unidos em números mais altos do que em qualquer momento dos últimos dez anos, e para a maioria deles a nova maneira de viajar para o norte é primeiro tomar o rumo oeste - o México -, seguindo uma rota labiríntica que permite evitar as patrulhas da Guarda Costeira norte-americana.

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Funcionários do governo norte-americano afirmam que esse movimento migratório - que se tornou uma operação de contrabando de pessoas com movimento da ordem de milhões de dólares ao ano - ganhou força porque muitos cubanos perderam a esperança de que Raúl Castro, que assumiu o governo do país desde que seu irmão Fidel adoeceu, no ano passado, venha a promover mudanças que melhorem suas vidas. As autoridades cubanas alegam que a emigração tem motivos mais econômicos que políticos, e é estimulada pela política norte-americana de recompensar os cubanos que entram no país ilegalmente.

De fato, ao contrário dos mexicanos, centro-americanos e outros latinos que entram nos Estados Unidos pela fronteira sudoeste, os cubanos não precisam fazê-lo de maneira clandestina. Podem procurar as autoridades na fronteira, aproveitando a fiscalização frouxa do lado mexicano, e tirar vantagem da política oficial de Washington, que lhes oferece cidadania norte-americana caso consigam chegar ao território dos Estados Unidos.

Foi isso que José Luis Savater, 45 anos, técnico de reparo de refrigeradores de Havana, fez no começo de outubro para chegar ao sul da Flórida, o objetivo da maioria dos migrantes cubanos.

Savater demorou quase quatro dias para chegar a Isla Mujeres, uma ilha na costa mexicana, em um barco precário feito de madeira, fibra de vidro e alumínio, e propelido por um motor improvisado que ele construiu com base em uma bomba de irrigação. Os 15 homens e uma mulher que o acompanharam se revezavam retirando a água do mar que invadia o casco. "É extremamente perigoso", afirmou Savater por telefone, de Cancún. "Eu achei que morreria. Sofri muito".

Mas o passo seguinte foi muito mais simples: um vôo para Matamoros, cidade de fronteira logo ao lado de Brownsville, Texas, com ajuda de dinheiro transferido por parentes do sul da Flórida. Alguns funcionários do governo norte-americano definem essa nova abordagem - cubanos que chegam a estações de fronteira em pleno deserto para solicitar asilo político - como "pé empoeirado".

As estatísticas deixam claro que os cubanos agora acreditam que, embora consideravelmente mais longa, a rota que passa pelo México, da pequena cidade costeira de Cortes e de outros pontos de partida na metade oeste de Cuba, torna mais altas suas chances de chegar a Miami. No ano fiscal de 2007, encerrado em setembro, o número de cubanos que optou por essa rota - 11.847 - foi quase duas vezes mais alto que o total de 2005.

Em comparação, a Guarda Costeira norte-americana interceptou apenas 2.861 cubanos cruzando os estreitos da Flórida no ano fiscal de 2007, enquanto 4.827 outros escaparam às autoridades, atingiram território norte-americano e solicitaram residência, de acordo com a Guarda Costeira.

Os números demonstram que, no ano fiscal de 2007, a emigração da ilha registrou seus números mais elevados desde o êxodo em massa de 35 mil cubanos em 1994.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

The New York Times
 
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