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Cemitério militar dos EUA não dá conta da demanda

10 de outubro de 2007 13h41

O cemitério de Arlington não está dando conta da demanda. A geração de norte-americanos que combateram na Segunda Guerra Mundial está chegando ao final. Restam cerca de três milhões de veteranos daquele conflito vivos, mas o número de mortes nessa categoria é superior a mil por dia. Ainda que apenas proporção mínima deles seja sepultada nesse santuário patriótico localizado no subúrbio de Washington, a demanda de espaço para novos túmulos não pára de crescer, e as guerras no Afeganistão e Iraque geram mais pressão sobre a situação funerária.

Pouco mais de 10% dos militares que perderam a vida nesses conflitos encontram seu último repouso na colina ajardinada de Arlington, bem perto do Pentágono. Os responsáveis pelo cemitério, que é administrado pelo exército, decidiram iniciar uma ampliação para garantir que Arlington possa continuar acomodando novas sepulturas por pelo menos mais meio século.

Não admitem a idéia de que se deva negar sepultura em lugar de tamanho simbolismo àqueles que se sacrificaram pelo país em passadas guerras ou darão sua vida por ele no futuro. Com orçamento de US$ 35 milhões, o Projeto Milênio permitirá a expansão do cemitério para além de seus atuais limites, com a reforma de sua disposição interna e o aproveitamento de terrenos reservados hoje a um bosque e outros usos.

De acordo com o jornal Washington Post, na primeira fase do projeto está previsto espaço para outros 48 mil túmulos e para 16 mil nichos destinados a conter cinzas de cremações. Novas aquisições de terrenos limítrofes poderão ampliar a capacidade, nos próximos decênios.

Em Arlington, estão sepultadas mais de 300 mil pessoas, entre as quais militares que combateram em todas as guerras norte-americanas desde a independência do país, bem como membros de suas famílias. Hoje, a média é de 25 a 30 sepultamentos por dia. Alguns envolvem cerimônias muito elaboradas, com bandas de música e cavalos conduzindo o caixão ao túmulo.

Os administradores do cemitério encontram dificuldade para coordenar os cortejos. É inevitável que as salvas que honram o sepultamento de um veterano interfiram com outras cerimônias. Arlington, situado na margem oeste do rio Potomac, ao lado de Washington, fica em território do Estado da Virgínia. A área começou a ser usada como cemitério durante a guerra civil norte-americana, em 1864, devido ao grande número de vítimas que pereciam nos hospitais e não encontravam espaço nos cemitérios da capital. Para criar o cemitério, foi expropriada uma fazenda pertencente à mulher do general Robert Lee, que comandava as forças sulistas na guerra de secessão.

O cemitério é parada obrigatória para qualquer visitante que passe alguns dias em Washington. O lugar mais procurado é o túmulo do presidente John Kennedy, com sua chama eterna e frases memoráveis inscritas em pedra. Bem perto dele repousa seu irmão, Robert, também assassinado, sob uma simples cruz de madeira. O percurso habitual inclui uma parada para ver a troca de guarda diante do túmulo do soldado desconhecido.

Em Arlington, todos os símbolos nacionais encontram espaço, sejam memoriais aos tripulantes dos ônibus espaciais Challenger e Columbia, destruídos em acidentes, restos das vítimas da fracassada tentativa de libertar os norte-americanos mantidos como reféns em Teerã em 1979, ou o mastro do couraçado Maine, destruído por uma explosão no porto de Havana, em 1898, em um incidente que gerou guerra entre a Espanha e os Estados Unidos e precipitou o fim do império espanhol.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

La Vanguardia
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