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 Cubanos têm certeza que Fidel Castro continua vivo
04 de setembro de 2007 11h04 atualizado às 11h35

A prolongada ausência do líder cubano, Fidel Castro, em eventos públicos alimentou nas últimas semanas rumores de sua morte entre exilados de Miami. Em Cuba, porém, o clima é de normalidade.

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Enquanto circulavam rumores de que embalsamadores russos estariam trabalhando para preservar o corpo do veterano revolucionário, funcionários do Partido Comunista voltavam, confiantes e bronzeados, de suas férias de verão, tentando mostrar que não há preocupação com Fidel ou com o futuro do país sem ele. "Não acredite em uma só palavra, é tudo uma invenção da gente de Miami", disse um assessor de uma importante autoridade cubana.

O chanceler Felipe Pérez Roque embarcou nesta semana para uma visita ao Irã, um sinal claro de que Fidel não está à morte, na avaliação de um diplomata ocidental. Fidel, 81 anos, não aparece em público desde que foi submetido a uma cirurgia intestinal de emergência, há 13 meses. Desde então, seu irmão Raúl, 76 anos, é o presidente interino do país.

Poucos cubanos têm acesso à Internet, então a maioria não tem nem idéia da boataria em Miami, iniciada em 24 de agosto por dois blogueiros que anunciaram a morte de Fidel. Um deles chegou a dizer que a polícia no sul da Flórida estava em alerta e que rádios e TVs de Cuba estavam tocando música clássica durante duas horas, preparando um anúncio. Nas ruas de Havana, os cubanos dizem não ter dúvida de que Fidel está vivo, mesmo que há três meses não apareça um só vídeo ou gravação de sua voz.

Muitos parecem ocupados demais com a sobrevivência cotidiana para pensar na saúde de Fidel, quanto mais para ler ou ouvir os artigos que ele vem publicando no jornal Granma e que são repetidos na mídia estatal. "Ele está vivo, tenho certeza", afirmou Genaro, treinador de esportes, saudoso da ajuda soviética recebida na década de 1980 e do poder de compra do peso, que permitia aos cubanos se hospedar em hotéis hoje restritos a turistas estrangeiros.

"Com ou sem Fidel, os cubanos estão ocupados demais para pensar na sua ausência", disse Genaro, queixando-se as dificuldades econômicas na ilha, onde o salário médio é de 15 dólares por mês. As autoridades insistem que Fidel, no poder desde 1959, se recupera de uma série de operações intestinais, devido a uma doença não revelada. Mas, ao contrário do que ocorria há alguns meses, não há mais expectativa de que ele volte a governar.

Mesmo o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, maior aliado de Fidel no mundo, parou de dizer que seu mentor político vai reaparecer em breve com sua tradicional farda para mobilizar a esquerda latino-americana. Observadores estrangeiros em Havana acham que Fidel está vivo, mas aparentemente com uma doença crônica.

Reuters
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