Candidato Giuliani é mais duro do que a Casa Branca

03 de setembro de 2007 • 12h25 • atualizado às 12h25

Philippe Bolopion

Estados Unidos


Rudolph Giuliani cultiva os paradoxos. Membro da ala esquerda do Partido Republicano no que tange às questões sociais, o pré-candidato republicano favorito à disputa da Casa Branca adota linha mais dura que o governo Bush em termos de política externa. Enquanto o presidente norte-americano propõe o estabelecimento de um Estado palestino, Giuliani considera que "não serve aos interesses dos Estados Unidos, que vivem sob ameaça de terroristas islâmicos, ajudar na criação de um novo Estado que sustentará o terrorismo".

Em artigo para a revista Foreign Affairs, o líder entre os pré-candidatos republicanos expressa sua opinião de que "a ênfase em negociações entre Israel e os palestinos é exagerada". Giuliani escreveu que "antes de tudo os palestinos precisam estabelecer um governo decente".

Em 1995, quando da celebração dos 50 anos da ONU, em Nova York, o então prefeito da cidade classificou o dirigente palestino Yasser Arafat como "assassino". No que tange ao Irã, Giuliani adota posição mais diretamente belicosa do que a de Bush: "Os teocratas que governam o Irã terão de compreender que podemos tanto auxiliá-los quanto pressioná-lo, com medidas que solapem o apoio popular ao seu regime, cerceiem a economia iraniana, debilitem suas forças armadas e, se tudo mais falhar, que podemos destruir sua infra-estrutura nuclear", afirmou.

Giuliani selecionou para sua equipe de assessores o editor e ensaísta Norman Podhoretz, um dos fundadores do movimento neoconservador, com o qual Giuliani não está 100% alinhado. Podhoretz é partidário de ataques preventivos contra o Irã, especialmente para prevenir a "islamização" de uma Europa que, de acordo com as teses que ele defende, poderia se tornar uma "Eurábia".

O paralelo que Giuliani traça entre as guerras do Iraque e do Vietnã dispõe que, em ambos os casos, os Estados Unidos combateram com "estratégias derrotistas por muitos anos", antes de corrigir a trajetória e começar a "obter progresso real". As conseqüências de uma retirada das forças norte-americanas do Iraque seriam "piores" do que as surgidas com a retirada do Vietnã, a qual, na opinião dele, aconteceu depois que a vitória norte-americana estava garantida.

Giuliani também defende mais ativismo com relação a Cuba. Os Estados Unidos "deveriam estar prontos a ajudar o povo cubano a reconquistar sua liberdade, e a se opor à consolidação de um regime corrupto e decrépito sob o comando de Raul Castro". Para enfrentar "o primeiro grande desafio do século XXI", em suas palavras, Giuliani deseja especialmente "reconstruir o exército norte-americano" e acelerar o sistema de defesa antimísseis iniciado por Bush.

Ele tampouco deseja cercear "de modo irrealista" os sistemas de escuta eletrônica ou os "interrogatórios legais". O pré-candidato republicano também deseja reexaminar a Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), para ampliar as fileiras da organização e mobilizá-la contra todas as ameaças, "da agressão territorial ao terrorismo". Quanto à ONU, "ela pode ser útil para certas funções humanitárias e de manutenção da paz, mas os Estados Unidos não devem esperar demais da organização", ele avalia, acrescentando que "as Nações Unidas não se mostraram pertinentes para a solução dos grandes conflitos", e em determinados momentos se provaram "frágeis, indecisas e ocasionalmente corruptas".

Uma idéia original de Giuliani é que empresas como Pepsi, Coca-Cola e McDonald¿s ajudaram os Estados Unidos a vencer a guerra fria quando entraram no mercado soviético, e ele sugere "intercâmbio semelhante com os países muçulmanos".

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

Le Monde
 
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