Philippe Bolopion
Estados Unidos
Em artigo para a revista Foreign Affairs, o líder entre os pré-candidatos republicanos expressa sua opinião de que "a ênfase em negociações entre Israel e os palestinos é exagerada". Giuliani escreveu que "antes de tudo os palestinos precisam estabelecer um governo decente".
Em 1995, quando da celebração dos 50 anos da ONU, em Nova York, o então prefeito da cidade classificou o dirigente palestino Yasser Arafat como "assassino". No que tange ao Irã, Giuliani adota posição mais diretamente belicosa do que a de Bush: "Os teocratas que governam o Irã terão de compreender que podemos tanto auxiliá-los quanto pressioná-lo, com medidas que solapem o apoio popular ao seu regime, cerceiem a economia iraniana, debilitem suas forças armadas e, se tudo mais falhar, que podemos destruir sua infra-estrutura nuclear", afirmou.
Giuliani selecionou para sua equipe de assessores o editor e ensaísta Norman Podhoretz, um dos fundadores do movimento neoconservador, com o qual Giuliani não está 100% alinhado. Podhoretz é partidário de ataques preventivos contra o Irã, especialmente para prevenir a "islamização" de uma Europa que, de acordo com as teses que ele defende, poderia se tornar uma "Eurábia".
O paralelo que Giuliani traça entre as guerras do Iraque e do Vietnã dispõe que, em ambos os casos, os Estados Unidos combateram com "estratégias derrotistas por muitos anos", antes de corrigir a trajetória e começar a "obter progresso real". As conseqüências de uma retirada das forças norte-americanas do Iraque seriam "piores" do que as surgidas com a retirada do Vietnã, a qual, na opinião dele, aconteceu depois que a vitória norte-americana estava garantida.
Giuliani também defende mais ativismo com relação a Cuba. Os Estados Unidos "deveriam estar prontos a ajudar o povo cubano a reconquistar sua liberdade, e a se opor à consolidação de um regime corrupto e decrépito sob o comando de Raul Castro". Para enfrentar "o primeiro grande desafio do século XXI", em suas palavras, Giuliani deseja especialmente "reconstruir o exército norte-americano" e acelerar o sistema de defesa antimísseis iniciado por Bush.
Ele tampouco deseja cercear "de modo irrealista" os sistemas de escuta eletrônica ou os "interrogatórios legais". O pré-candidato republicano também deseja reexaminar a Organização para o Tratado do Atlântico Norte (Otan), para ampliar as fileiras da organização e mobilizá-la contra todas as ameaças, "da agressão territorial ao terrorismo". Quanto à ONU, "ela pode ser útil para certas funções humanitárias e de manutenção da paz, mas os Estados Unidos não devem esperar demais da organização", ele avalia, acrescentando que "as Nações Unidas não se mostraram pertinentes para a solução dos grandes conflitos", e em determinados momentos se provaram "frágeis, indecisas e ocasionalmente corruptas".
Uma idéia original de Giuliani é que empresas como Pepsi, Coca-Cola e McDonald¿s ajudaram os Estados Unidos a vencer a guerra fria quando entraram no mercado soviético, e ele sugere "intercâmbio semelhante com os países muçulmanos".
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
Le Monde