Gêmea saudável é morta no útero por erro médico

27 de agosto de 2007 • 12h50 • atualizado às 13h12

Assimina Vlahou

São Paulo


A Procuradoria de Milão está investigando um caso que chocou grupos católicos italianos, no qual um feto saudável, gêmeo de outro que iria desenvolver má formação, foi morto por engano em um aborto. O procedimento foi realizado numa grávida de 38 anos internada no hospital São Paulo de Milão em junho.

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O hospital também abriu uma investigação para apurar se houve erro médico no aborto seletivo. Para a ministra da Saúde, Livia Turco, o caso é um "erro humano gravíssimo" que, contudo, não coloca em discussão a lei que autoriza o aborto, aprovada com 70% de votos num referendo em 1978. "Por enquanto, as investigações internas não indicam que há responsabilidade dos médicos", disse Alessandro Amorosi, porta-voz do hospital, que considera o caso como uma "fatalidade".

Na 15° semana de gravidez, as análises médicas indicaram que uma das gêmeas nasceria com uma grave má formação. A mãe decidiu se submeter a um aborto para manter apenas o feto saudável. "As duas gêmeas eram morfologicamente idênticas", afirmou a ginecologista Anna Maria Marconi, que realizou o aborto.

De acordo com a explicação da médica, que definiu o caso como "raríssimo", os dois fetos mudaram de posição nas três semanas que se passaram entre a análise que detectou a má formação e a operação. "Era impossível prever isto, o único jeito seria fazer um monitoramento constante, com uma sonda na barriga da paciente", declarou em entrevista ao jornal Corriere della Sera.

Grupos católicos consideram o aborto praticado no hospital de Milão como uma forma de eugenética, para manter apenas o feto saudável para reprodução, e estão pedindo a revisão da lei do aborto e responsabilidade médica no país.

"O aborto praticado no hospital São Paulo não foi terapêutico, como diz a lei, mas eugenético, com a intenção de matar o feto doente e salvar o saudável", afirmou a senadora Paola Binetti, do partido de inspiração católica Margherita. Para o ginecologista Sergio Vitale, há no país uma tentativa de intimidar os médicos que praticam aborto e de limitar o diagnóstico pré-natal.

Ele argumenta que todos os abortos terapêuticos seriam eugenéticos, visto que são realizados por causa de má formação do feto, detectada por meio das análises nas primeiras semanas de gravidez. "Nestes casos, a responsabilidade é da análise pré-natal, depois é uma questão de livre arbítrio, da escolha de cada um, que num país católico é difícil", afirmou Vitale.

A lei italiana não faz referência específica a abortos gemelares ou seletivos, que visam interromper o crescimento do embrião doente e continuar a gestação dos que são saudáveis.

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