» Cartas têm crise de fé de madre Teresa
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Em uma entrevista publicada na edição de hoje do jornal italiano La Stampa, o sacerdote disse que madre Teresa de Calcutá queria destruir a correspondência, mas que, no fim, ele decidiu publicá-la, já que "constitui um documento único e importante".
Kolodiejchuk é membro da congregação Missionárias da Caridade, ordem à qual madre Teresa pertencia e que promove o processo de canonização da freira, iniciado em 2005. O novo livro Mother Teresa: Come Be My Light (Madre Teresa: Venha Ser Minha Luz, em tradução livre) agrupa as cartas enviadas a seus confessores e superiores.
A correspondência mostra que ela passou a maior parte dos seus últimos 50 anos de vida em profunda crise espiritual, a qual a levou, inclusive, a duvidar da existência de Deus. "Após um longo debate entre os membros da ordem, decidimos publicar as cartas porque elas mostram sua profundidade, seu aspecto humano, sua capacidade de enfrentar as situações mais difíceis", declarou Kolodiejchuk.
"A Publicação destas cartas também serve para que mostremos aos outros membros da ordem como devemos agir nestes momentos de escuridão ou de crise espiritual em uma vida difícil, dedicada a ajudar os mais pobres", acrescentou o sacerdote.
Kolodiejchuk declarou que madre Teresa viveu um longo período de escuridão interna, o qual se estendeu até o fim de sua vida. Durante esse período, ela chegava a dizer que não conseguia sentir a presença de Deus. "Ela aprendeu a viver com isso e a aceitar isso como um desafio imposto pela fé", disse o autor do livro.
O sacerdote afirma que o lançamento da biografia, no mesmo dia em que a madre morreu, há dez anos (5 de setembro), "não é jogo de marketing" e que as cartas só apareceram recentemente. Em um trecho dessas mensagens publicado no último número da revista Time, a religiosa afirma: "Sofro porque busco e não encontro Cristo, por escutar sem ouvir. O sorriso é uma máscara ou um manto que cobre tudo".
Kolodiejchuk afirmou que durante essas crises madre Teresa teve a ajuda do seu então assessor espiritual, Joseph Neuner, que a fez entender que "a escuridão e a incerteza que a assustavam eram, na realidade, a verdadeira parte espiritual de seu trabalho e de sua obra".
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