Após inundações, ratos assustam chineses
Foto: AP
Mais de dois bilhões de ratos invadiram 20 distritos da província de Hunan, na China, destruindo plantações numa área de 1,6 milhão de hectares - mais de dez vezes o tamanho da cidade de São Paulo. Os roedores estão fugindo da água desde o mês passado, quando a cheia no rio Yangtze elevou o nível do lago Dongting, alagando as tocas dos roedores que habitavam as redondezas.
Os animais tiveram de deixar seus ninhos em busca de terra seca e agora espalham terror por onde passam. Apenas no distrito de Dahu, 2,3 milhões de roedores foram exterminados, o que equivale a 90 toneladas de ratos mortos.
"É como tropas inimigas que saqueiam em uma guerra. Não nos restou nada", disse Yin Xinjin, 65 anos, sobre o ataque dos roedores à sua colheita. A invasão se concentra próximo às cidades de Yueyang e Yiyang, regiões conhecidas pela prosperidade agrícola.
Camponeses lamentam a destruição das plantações. As áreas afetadas são famosas por cheirar a "perfume de arroz e melão doce" na época da colheita, dois alimentos considerados nobres na culinária chinesa.
Para o jornal South China Daily, além das cheias, o desequilíbrio do ecossistema ao redor do lago de Dongting também pode ser uma razão do problema. "As cobras, consideradas uma iguaria na culinária da região, têm sido caçadas para atender a demanda dos restaurantes. Sem um predador natural, os ratos de Hunan procriaram descontroladamente", diz uma reportagem do jornal chinês.
Medidas de combate
As autoridades alertam para o alto risco de contágio de doenças como a leptospirose, mas até agora nenhum caso foi registrado.
O governo está distribuindo veneno de rato e enviou equipes para exterminar os roedores e também promove uma campanha de conscientização.
"O foco está na educação dos moradores, para que eles se protejam enquanto matam os ratos e supervisionem as condições de saúde local", disse à imprensa oficial Peng Zaizhi, diretor da divisão de contenção de emergências do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da província de Hunan.
As autoridades aconselham os moradores a queimar e enterrar os animais em áreas remotas e ainda oferecem uma "recompensa" de 50 centavos de Yuan por rato morto (R$ 0,12).
Mas quem quiser receber o dinheiro deve mostrar o rabinho do rato como prova.
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