Uma oração pedindo a conversão dos judeus, que havia sido retirada da liturgia católica nos anos 1960, pode ser reincluída de surpresa no sábado, quando o papa Bento XVI deve emitir a permissão para o uso generalizado da antiga missa em latim.
» Papa autorizará missa em latim
Reformistas católicos da década de 1960 trocaram o latim pelos idiomas locais na liturgia e eliminaram textos particularmente ofensivos para o judeus, como uma oração da Sexta-Feira Santa que se referia aos "judeus pérfidos."
O decreto de Bento XVI deve ressuscitar o livro de orações de 1962 em latim, que já tinha tirado a palavra "pérfido", mas em que permaneceram preces pela conversão dos judeus, pedindo que Deus "levante o véu" dos corações judeus e tenha piedade "até dos judeus", disseram fontes da Igreja.
A volta da missa em latim agrada aos tradicionalistas, mas é polêmica entre os católicos. Muitos tradicionalistas rejeitam as reformas do Conselho Vaticano Segundo (1962-1965), entre elas a abertura a outras religiões.
Abraham Foxman, diretor nacional da Liga Antidifamação (ADL), um grupo ativista judaico com sede nos Estados Unidos, adotou uma postura cautelosa. "Meu entendimento é de que eles compreendem nossa preocupação, nossa sensibilidade", disse Foxman em Roma. "E acho que eles não vão agravar nosso sofrimento depois de todos os esforços que fizemos para que houvesse a conciliação."
O decreto do pontífice deve dar aos padres mais liberdade para optar pela missa em latim. Hoje, os sacerdotes precisam da autorização de bispos para usar a chamada missa tridentina, e muitos bispos se recusam a dá-la.
"É inevitável que isso seja interpretado como uma vitória daqueles que achavam que o Concílio Vaticano Segundo foi um erro", disse o padre Keith Pecklers, um jesuíta especialista em liturgia. "Evidentemente não é essa a intenção", acrescentou.
O papa explicou a um grupo de cardeais no mês passado que estava tentando atrair os cerca de 600 mil católicos que abandonaram a Igreja depois do fim das missas em latim.
A corrente tradicionalista é mais forte na França, mas bispos franceses vêm criticando abertamente a volta do latim, alegando que a medida vai acabar incentivando os conservadores a continuar questionando as reformas do Concílio, o que pode criar rachas mais profundos na Igreja.

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