Jamil Asha, que vive na Jordânia e ouviu a notícia da detenção de seu filho, disse ao correspondente do jornal em Amã que no dia 12 de julho o jovem médico deveria retornar a seu país para passar as férias ao lado da mulher e do filho.
"Meu filho é incapaz de algo assim. Não todos os árabes são terroristas", explicou o pai.
Ele reconheceu que seu filho é um "muçulmano devoto". Mas insistiu que Mohammed Asha não pertence a nenhum grupo islâmico e que seu único objetivo era se tornar um médico excelente.
O pai do suposto terrorista apelou inclusive ao rei Abdullah da Jordânia para intervir a favor de Mohammed.
Fontes dos serviços de inteligência britânicos disseram ao jornal que Asha não tinha nenhum antecedente criminal.
"Só sabemos que ele é médico. Estamos à espera das informações do interrogatório no Reino Unido", disseram as fontes.
Nada na biografia de Asha dá alguma pista sobre sua suposta dedicação ao terrorismo. Seria o primeiro muçulmano com uma boa educação a se radicalizar após chegar a um país ocidental, destaca o "Times".
Mohammed Asha tem cinco irmãos e duas irmãs. Três deles também são médicos, e um é engenheiro. A família viveu algum tempo na Arábia Saudita, onde o pai ensinava árabe.
Em 1991, todos retornaram a Amã, onde viviam num bloco de apartamentos muito deteriorado, mas de propriedade de diferentes membros da família, no humilde bairro de Jabal Zuhour.
Segundo o perfil traçado pelo "Times", Asha se destacou como estudante, ganhou uma bolsa de estudos para crianças superdotadas e ficou em terceiro lugar em todo o país entre os estudantes de ciência de ensino médio.
Em 2004, formou-se em medicina pela Universidade da Jordânia. A sua alta nota valeu uma vaga na Universidade de Birmingham (Inglaterra), onde se especializou em neurologia.
Asha chegou ao Reino Unido em março de 2005. Segundo fontes do Serviço Nacional de Saúde, passou um ano trabalhando no Royal Sherwsbury Hospital e no Princess Royal Hospital, da localidade de Telford. Depois passou ao University Hospital de North Staffordshire, em Stoke-on-Tent, no noroeste da Inglaterra, onde está empregado atualmente.
Alugou uma casa em Sunningdale Grove, na localidade de Newcastle-under-Lyme, onde vivia com sua mulher, a jordaniana Marwah, de 27 anos, que conheceu ainda criança e com quem se casou na Universidade.
Marwah tem formação como pesquisadora de laboratório, mas não trabalha na Grã-Bretanha.
O casal foi detido no sábado pela Polícia quando, em companhia de seu filho de menos de 2 anos, viajava por uma estrada do condado de Cheshire, também no noroeste da Inglaterra.
Ahmad Asha, irmão mais velho do detido, casado com uma cristã ucraniana e que vive na Jordânia, declarou ao "Times" que confiava em que Mohammed fosse declarado inocente porque ele tem "uma mente científica" e não estava interessado na militância islâmica.
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