UE acorda para influência chinesa na África

27 de junho de 2007 • 09h38 • atualizado às 09h38

Mark John

Bruxelas


A União Européia (UE) deveria promover neste ano uma "parceria entre iguais" com a África para fazer frente à crescente influência chinesa no continente, segundo a Comissão Européia.

O objetivo final é posicionar melhor a Europa na busca por energia e outros recursos vitais também procurados pela China neste momento de crescimento econômico.

"Se a UE quiser permanecer como um parceiro privilegiado e conseguir o melhor das suas relações com a África, deve estar disposta a reforçar, e em algumas áreas reinventar, a atual relação", disse a Comissão Européia (Poder Executivo da UE) em um documento publicado na quarta-feira.

"A natureza da relação irá além da relação doador-receptor do passado e vai refletir uma parceria política de iguais", acrescentou o texto, referindo-se à iniciativa que deve ser lançada na cúpula UE-África marcada para dezembro em Lisboa.

O bloco europeu de 27 países é o maior parceiro comercial da África, com uma movimentação total que superou 200 bilhões de euros (270 bilhões de dólares) no ano passado. Mas a China já saltou para o terceiro lugar, com um comércio total de 43 bilhões de euros em 2006.

A UE também é a maior fornecedora mundial de ajuda à África, mas Pequim se tornou também a fonte de empréstimos atraentes, financiando projetos de infra-estrutura, bolsas de estudo e programas de treinamento.

"A China é um importante ator na África. Infelizmente, isso aconteceu sem que ninguém prestasse atenção", disse uma fonte da UE, falando a jornalistas durante uma reunião com diplomatas europeus, africanos e da China em Bruxelas.

A UE quer um maior acesso à abundante energia africana, ao mesmo tempo em que oferece ajuda na modernização do próprio setor energético do continente e espera apoio da África no combate ao aquecimento global.

O bloco espera que a cúpula de Lisboa leve também a esforços conjuntos por um melhor controle migratório da África para a Europa, para o combate ao tráfico humano e para reduzir a "fuga de cérebros" que leva africanos qualificados a emigrarem.

(Com reportagem de Marcin Grajewski, Ingrid Melander e William Schomberg)

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