Quarteto decide sobre nomeação de Blair na quarta

26 de junho de 2007 • 18h19 • atualizado às 18h38

O chamado Quarteto de mediadores do Oriente Médio se reuniu na terça-feira para definir o papel que o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pode desempenhar como representante internacional no Oriente Médio depois que deixar o cargo, numa tentativa de retomar o processo de paz agora que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza.

Uma declaração do Quarteto -EUA, Rússia, União Européia e Organização das Nações Unidas (ONU)- foi adiada para quarta-feira, informaram diplomatas.

"Fiquem ligados", disse a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, aos jornalistas com um sorriso no rosto quando voltava para casa após uma viagem de 48 horas para Paris, e foi indagada se Blair seria indicado como enviado do Quarteto.

"Certamente espero que essa função seja preenchida, porque a acho muito importante", acrescentou.

O enviado da UE para o Oriente Médio, Marc Otte, disse a jornalistas após a reunião do grupo em Jerusalém que Blair é o único candidato para a função, mas o Quarteto espera a aprovação final da Rússia.

"O acordo não está fechado", disse Otte, acrescentando que o enviado russo tem de consultar seus superiores.

Em Londres, um porta-voz do governo britânico negou o teor de uma reportagem da CNN segundo a qual já teria havido uma definição. "De maneira nenhuma é um fato consumado ainda", afirmou. Blair deixa a chefia do governo britânico na quarta-feira.

Em Washington, no entanto, uma autoridade do governo norte-americano que pediu para não ter seu nome revelado, afirmou esperar a indicação de Blair na quarta-feira.

As relações entre Londres e Moscou estão abaladas por causa da investigação de autoridades britânicas sobre o assassinato, em Londres, de um ex-agente soviético. Mas diplomatas consideram que novas negociações podem levar à indicação.

Os Estados Unidos e Israel pretendem isolar o Hamas na Faixa de Gaza, que o grupo islâmico tomou há duas semanas. Mas o Ocidente quer impulsionar o governo de emergência que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, formou na Cisjordânia ocupada após ele depor o governo liderado pelo Hamas.

Em Londres, Blair se declarou disposto a aceitar o cargo. "Acho que quem se importa com uma paz e uma estabilidade maiores no mundo sabe que uma resolução duradoura do conflito israelo-palestino é essencial e, como disse em muitas ocasiões, farei o que puder para ajudar que tal resolução apareça", afirmou o ainda primeiro-ministro a jornalistas.

O gabinete do primeiro-ministro palestino, Ehud Olmert, divulgou comunicado informando que ele ligou para Blair e disse ao premiê britânico que apóia "totalmente" sua indicação como enviado do Quarteto. Segundo assessores, Abbas também apóia a medida.

Mas alguns diplomatas questionam a capacidade de Blair de conquistar a simpatia de amplos setores da opinião pública árabe e palestina em particular, devido a seu papel na guerra do Iraque e a sua relação estreita com o presidente dos EUA, George W. Bush.

Fawzi Barhmoum, porta-voz do Hamas, disse que Blair não é bem-vindo no cargo porque apoiou "o terrorismo da ocupação sionista (israelense) e os massacres contra nossa gente".

Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »