Uma declaração do Quarteto -EUA, Rússia, União Européia e Organização das Nações Unidas (ONU)- foi adiada para quarta-feira, informaram diplomatas.
"Fiquem ligados", disse a secretária norte-americana de Estado, Condoleezza Rice, aos jornalistas com um sorriso no rosto quando voltava para casa após uma viagem de 48 horas para Paris, e foi indagada se Blair seria indicado como enviado do Quarteto.
"Certamente espero que essa função seja preenchida, porque a acho muito importante", acrescentou.
O enviado da UE para o Oriente Médio, Marc Otte, disse a jornalistas após a reunião do grupo em Jerusalém que Blair é o único candidato para a função, mas o Quarteto espera a aprovação final da Rússia.
"O acordo não está fechado", disse Otte, acrescentando que o enviado russo tem de consultar seus superiores.
Em Londres, um porta-voz do governo britânico negou o teor de uma reportagem da CNN segundo a qual já teria havido uma definição. "De maneira nenhuma é um fato consumado ainda", afirmou. Blair deixa a chefia do governo britânico na quarta-feira.
Em Washington, no entanto, uma autoridade do governo norte-americano que pediu para não ter seu nome revelado, afirmou esperar a indicação de Blair na quarta-feira.
As relações entre Londres e Moscou estão abaladas por causa da investigação de autoridades britânicas sobre o assassinato, em Londres, de um ex-agente soviético. Mas diplomatas consideram que novas negociações podem levar à indicação.
Os Estados Unidos e Israel pretendem isolar o Hamas na Faixa de Gaza, que o grupo islâmico tomou há duas semanas. Mas o Ocidente quer impulsionar o governo de emergência que o presidente palestino, Mahmoud Abbas, formou na Cisjordânia ocupada após ele depor o governo liderado pelo Hamas.
Em Londres, Blair se declarou disposto a aceitar o cargo. "Acho que quem se importa com uma paz e uma estabilidade maiores no mundo sabe que uma resolução duradoura do conflito israelo-palestino é essencial e, como disse em muitas ocasiões, farei o que puder para ajudar que tal resolução apareça", afirmou o ainda primeiro-ministro a jornalistas.
O gabinete do primeiro-ministro palestino, Ehud Olmert, divulgou comunicado informando que ele ligou para Blair e disse ao premiê britânico que apóia "totalmente" sua indicação como enviado do Quarteto. Segundo assessores, Abbas também apóia a medida.
Mas alguns diplomatas questionam a capacidade de Blair de conquistar a simpatia de amplos setores da opinião pública árabe e palestina em particular, devido a seu papel na guerra do Iraque e a sua relação estreita com o presidente dos EUA, George W. Bush.
Fawzi Barhmoum, porta-voz do Hamas, disse que Blair não é bem-vindo no cargo porque apoiou "o terrorismo da ocupação sionista (israelense) e os massacres contra nossa gente".
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