A declaração provocadora foi feita na terça-feira passada pelo primeiro-ministro polonês, Jaroslaw Kaczynski. Ele considerou que a Polônia merecia ser compensada pelo sofrimento infligido pelas tropas alemãs a seu povo através da revisão do peso dos votos que seu país receberia na UE.
"Sem a guerra de 1939-1945, a Polônia teria atualmente um milhão de habitantes" em vez dos atuais 38 milhões, declarou o primeiro-ministro Jaroslaw Kaczynski.
"Uma declaração absurda", que "provocou gestos de reprovação" durante o jantar de gala inaugural da cúpula dos 27, na noite de quinta-feira, replicou o chanceler social-democrata austríaco, Alfred Gusenbauer, na televisão pública alemã.
A história da União Européia "é precisamente a resposta a esta história trágica", insistiu o chefe do governo austríaco.
O sistema de voto do novo Tratado que substituirá a falida Constituição Européia é o pomo da discórdia da cúpula de Bruxelas.
Varsóvia não quer que se institua o sistema de dupla maioria qualificada, segundo a qual se leva em consideração tanto a quantidade de países em favor de determinada medida (55% como mínimo) quanto o número de habitantes de cada Estado (65% como mínimo).
A susceptibilidade polonesa não surpreende a Hungria, admitiu por sua vez o ministro Ferenc Gyurcsany, em alusão tanto ao nazismo como ao stalinismo.
"No entanto, todos deveríamos compreender que não existe uma estratégia para voltar atrás, e a maioria dos líderes da UE compartilham desta opinião", acrescentou.
"Há duas normas de enfrentar este trauma: pedir reparação ou tirar lições do passado e esta última é a solução mais desejável", explicou.
"Estas declarações me entristecem", afirmou o presidente do Parlamento Europeu, o alemão Hans-Gert P¶ttering.
O presidente Lech Kaczynski viajou à cúpula de Bruxelas para defender os interesses poloneses. Ele e seu irmão gêmeo têm uma história familiar particular, uma vez que o pai deles lutou na resistência polonesa não comunista contra o invasor alemão durante a II Guerra Mundial.
"A grande lição desta cúpula é que a história particular de alguns países ainda pesa", opinou a um diplomata espanhol que pediu anonimato.
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