» Jornal: Olmert cogita deixar Golã
Uma dessas autoridades disse que membros do governo da Síria haviam dado sinais favoráveis à realização de contatos reservados capazes de levar à retomada do processo formal de paz, paralisado há sete anos.Dentro de duas semanas, o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, deve se reunir como presidente dos EUA, George W. Bush, que desempenharia um papel de destaque em qualquer processo do tipo.
Dois dias após o premiê ter confirmado o envio, por parte do governo israelense, de mensagens conciliatórias a Damasco, meios de comunicação de Israel reproduziram notícia dada por um jornal de que, segundo uma autoridade síria, o Estado judaico havia lembrado o país árabe sobre sua disposição de discutir a devolução das Colinas do Golã caso sejam retomadas as negociações de paz.
As colinas foram ocupadas por Israel há 40 anos.
Um ex-diplomata israelense que participou dos esforços para reavivar o diálogo disse que Olmert ¿que enfrenta baixos índices de popularidade após a guerra malsucedida contra o Hezbollah no Líbano no ano passado¿ preparava seus eleitores para a possibilidade de serem feitas concessões à Síria.
Uma experiente autoridade de Israel afirmou à Reuters que o governo sírio parecia aberto à possibilidade de iniciar um diálogo discreto e que o Estado judaico tentava agora saber quais concessões a Síria estaria disposta a fazer.
Entre essas concessões estaria o rompimento das relações com o Irã, o Hezbollah e grupos militantes palestinos como o Hamas.
"Ninguém sabe a resposta", afirmou a autoridade, que não quis ter sua identidade revelada.
"Não sabemos qual é a definição síria de paz. Não sabemos se a Síria ficará do lado dos EUA e dos aliados ocidentais deles ou se ficará com o Irã, o Hezbollah e o Hamas."
"Não há precondições para iniciarmos o diálogo. Mas Assad teria de enviar algum sinal", acrescentou a autoridade.
Porta-vozes do governo israelense não quiseram comentar, na sexta-feira, a notícia divulgada pelo jornal Yedioth Ahronoth de que Olmert havia enviado a Assad uma mensagem na qual afirmava estar pronto a abrir mão das Colinas do Golã.
O governo sírio ainda não se manifestou sobre a questão.
Pesquisas mostram que cerca de metade dos eleitores israelenses concordariam com a devolução de partes do Golã, mas poucos aceitam abrir mão de todo o território.
Essa manobra, portanto, seria difícil de ser realizada por Olmert devido à atual impopularidade do dirigente.
No entanto, alguns analistas acreditam que, devido às poucas chances de avanço no processo de paz com os palestinos, hoje divididos, ou no diálogo com o Líbano a respeito da fronteira que o separa de Israel, as negociações com a Síria poderiam fortalecer o premiê.
Olmert também estuda como responder à retomada de uma iniciativa de paz pela Liga Árabe.
Os demais países árabes, assim como os EUA e Israel, desejam que a Síria afrouxe seus laços com o Irã (um país não-árabe, mas xiita). O programa nuclear iraniano e a influência do Irã sobre os xiitas no Iraque são motivos de preocupação para os árabes.
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