Militantes ameaçam ampliar confrontos no Líbano

06 de junho de 2007 • 10h09 • atualizado às 10h30

Militantes inspirados pela Al-Qaeda no norte do Líbano ameaçaram na quarta-feira levar sua luta a outras partes do país e ao exterior, caso o Exército libanês não pare de atacar um campo de refugiados palestinos.

"Se o Exército continuar bombardeando civis e mantendo suas práticas desumanas, vamos avançar dentro de dois dias para a segunda fase da batalha", disse o comandante militar do grupo Fatah al-Islam, Shahin Shahin, por telefone à Reuters do campo de Nahr al-Bared.

"Vamos demonstrar a eles as capacidades da Fatah al-Islam, começando pelo Líbano e depois passando para toda a Grande Síria", afirmou, usando um termo que se refere a Líbano, Síria, Jordânia, Israel e os territórios palestinos.

Durante a madrugada e a manhã de quarta-feira, os militares libaneses fizeram disparos contra militantes da Fatah al-Islam entrincheirados no campo de refugiados litorâneo, no 18o dia de combates no local.

Pelo menos 114 pessoas, sendo 46 soldados e 38 militantes, morreram desde 20 de maio. O Exército diz que os militantes iniciaram o conflito e exige a rendição deles. Esses são os piores confrontos internos no Líbano desde a guerra civil (1975-90).

Combates
No sul do Líbano, 40 homens ligados à facção laica Fatah, do presidente palestino Mahmoud Abbas, e a três facções islâmicas ocuparam a entrada norte do campo de Ain al-Hilweh, cenário de confrontos diários nesta semana entre o Exército e o grupo militante Jund Al Sham, que tem ligações com a Fatah al-Islam.

Os combates em Ain al-Hilweh, em que dois soldados e dois militantes morreram, despertaram temores de que o conflito no norte possa se espalhar para outros campos de refugiados do Líbano. Segundo o governo de Beirute, a Fatah al-Islam determinou que a Jund al-Sham comece a lutar no sul.

As facções palestinas, inclusive as rivais Hamas e Fatah, se opõem à Fatah al-Islam, que adota a ideologia da "jihad global" da Al-Qaeda e recruta combatentes em outros países árabes.

Cerca de 27 mil dos 40 mil habitantes de Nahr al-Bared fugiram, muitos deles para o vizinho campo de Beddawi. A ONU pediu doações de 12,7 milhões de dólares para ajudar os desabrigados.

O governo libanês anunciou que os EUA, que haviam mandado munição e outros equipamentos militares no início do conflito, doaram 3 milhões de dólares para os desabrigados.

Um acordo de 1969 impede o Exército de entrar nos 12 campos de refugiados do Líbano, onde vivem cerca de metade dos 400 mil refugiados palestinos no país.

Desde o início dos confrontos no campo, quatro bombas explodiram na região de Beirute, matando uma pessoa e ferindo dezenas. Na quarta-feira, uma pequena bomba foi achada perto de um balneário frequentado por tropas de paz da ONU, no sul do país, segundo fontes de segurança. O artefato de dois quilos estava programado para explodir às 6h (0h em Brasília), mas falhou.

A Fatah al-Islam acusou na semana passada a força da ONU, com 13 mil homens, de fazer bombardeios marítimos contra o campo de Nahr al-Bared. A força internacional negou a acusação.

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