Bush diz que seu plano climático não contradiz ONU

06 de junho de 2007 • 10h06 • atualizado às 11h37
George W. Bush cumprimenta a chanceler alemã, Angela Merkel, no primeiro dia do encontro do G8  Foto: AP
George W. Bush cumprimenta a chanceler alemã, Angela Merkel, no primeiro dia do encontro do G8
06 de junho de 2007
Foto: AP

Um plano dos Estados Unidos para combater o aquecimento global vai "se encaixar" nos esforços da Organização das Nações Unidas (ONU), ao invés de trilhar rumos conflitantes, disse na quarta-feira o presidente George W. Bush, enquanto os líderes do G8 se reúnem para uma cúpula na Alemanha.

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"Isso vai se encaixar no marco da ONU", disse Bush a jornalistas, referindo-se à proposta feita por ele na semana passada de que os 15 maiores poluidores mundiais aceitem no final de 2008 metas de longo prazo para a redução nas emissões de gases do efeito estufa.

Washington anunciou também sua oposição à proposta da chanceler alemã, Angela Merkel, para a adoção de rígidas metas de redução das emissões de gases do efeito estufa durante o encontro dos líderes dos principais países industrializados, cuja pauta deve incluir também a defesa antimísseis e a África.

Muitos países europeus temem que isso esvazie as discussões da ONU sobre um tratado global que substituiria o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.

Antes de se encontrar com Merkel para um almoço, Bush disse que os EUA servirão de ponte entre as várias abordagens contra a mudança climática.

Perto do local da cúpula, a polícia usou canhões de água para dispersar grupos de manifestantes que tentavam perturbar a reunião. Um porta-voz policial disse que a reação foi necessária depois que "os manifestantes bombardearam a polícia com pedras". De acordo com essa fonte, 10 mil ativistas violaram a proibição de manifestações na área e poderiam ser presos.

Em Londres, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, disse que a cúpula precisa aceitar uma meta para a redução dos gases do efeito estufa dentro de um novo acordo global contra a mudança climática.

"O que será importante no G8 é que consigamos um acordo no sentido de que deve haver um novo tratado global que envolva todos os principais atores, inclusive a América e a China, e que no coração disso tem de haver uma meta global para uma redução substancial das emissões de gases do efeito estufa", disse Blair.

Mas um importante assessor de Bush disse que os EUA não vão subscrever reduções drásticas nem a meta européia de limitar o aumento da temperatura a um máximo de 2 graus acima dos níveis pré-industriais.

"Neste momento a respeito dessa questão específica não temos um acordo ainda", disse James Connaughton.

Relações russas
Paralelamente, Bush declarou que a Rússia não representa uma ameaça à Europa, apesar da promessa de Moscou de direcionar mísseis para o continente caso os EUA montem um escudo antimísseis na Europa Central.

"A Rússia não vai atacar a Europa", afirmou o presidente. "Continuarei a trabalhar com o presidente Putin para explicar que isso (o escudo) não é contra ele."

As diferenças entre Washington e Moscou concentram-se nos planos norte-americanos de colocar parte do escudo antimísseis na Polônia e na República Tcheca. A Rússia também resiste à pressão dos EUA e de países europeus para dar independência à Província sérvia de Kosovo.

Líderes do G8 - EUA, Japão, Rússia, Alemanha, Grã-Bretanha, França, Itália e Canadá - devem discutir também outras questões de política externa, como o programa nuclear iraniano, o conflito em Darfur (Sudão) e a disputa entre israelenses e palestinos.

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