Chinesa se mata depois de roubar pão

22 de maio de 2007 • 00h09 • atualizado às 01h40

Uma jovem de 16 anos da província de Liaoning, no norte da China, cometeu suicídio depois de ter sido humilhada em público por roubar um pão que custava 2 iuanes (US$ 0,26), informou nesta terça-feira o jornal "Shenyang Evening News".

A jovem, que o jornal chama pelo pseudônimo de Huang Xiaoling, estava há mais de um dia sem comer. Aparentemente, era filha adotiva de uma família pobre da cidade de Shenyang.

Na sexta-feira, dois parentes deram à jovem um iuane para comprar comida. Mas ela afirmou que com 50 centavos tinha o bastante, e se dirigiu a uma padaria.

O jornal conta que, ao ver um dos pãezinhos, a jovem ficou obcecada. Pegou o pão, que guardou em seu bolso.

Mas o proprietário do estabelecimento percebeu o furto e recriminou a jovem em público. Ela pediu desculpas e um dos clientes tentou pagar o pão, mas o dono da padaria continuou humilhando a menina durante uma hora, diante de todos os clientes que chegavam.

O padeiro informou o caso à escola de Huang. Assim, ela sofreu uma segunda humilhação em público, por parte de sua professora. No ensino chinês, é comum criticar e avaliar em público a atitude e resultados dos alunos, não só acadêmicos.

Quando Huang voltou para casa, não falou com ninguém, e começou a escrever uma nota.

Segundo a sua irmã adotiva, todos pensaram que ela estava fazendo seus deveres escolares. Na realidade, estava escrevendo uma nota de suicida.

"Sinceramente, não queria roubar o que não me pertencia. Já sei que cometi um erro, mas naquele momento estava com fome e não pude resistir à tentação do pão. Fiz o que não devia fazer. Não tenho honra suficiente para olhar as pessoas na cara, sinto vergonha pelos meus professores e companheiros. Adeus. Espero que possam me perdoar", escreveu.

Não se sabe como Huang se matou, já que a família adotiva é tão pobre que não pode pagar a autópsia. Mas tudo indica que ela poderia ter utilizado um veneno.

O jornal relata os antecedentes da adolescente. Foi criada apenas pelo pai. Em 2003, ela se mudou para a capital provincial, Shenyang, para buscar trabalho. Mas descobriu que tinha problemas mentais quando começou a se perder sem motivo aparente.

Ao descobrir seu estado, o pai desapareceu e deixou a jovem nas mãos de uma família adotiva, também muito pobre.

A China registra a cada ano mais de 280 mil suicídios, quase 30% do total mundial e 28 vezes mais que nos Estados Unidos, segundo dados oficiais. Fontes consultadas pela Efe afirmam que o índice pode ser superior ao oficial.

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