Onze policiais envolvidos na morte de Jean não serão punidos

11 de maio de 2007 • 08h31 • atualizado às 10h18

Onze policiais envolvidos na morte do brasileiro Jean Charles de Menezes em 22 de julho de 2005, em Londres, não serão punidos, anunciou hoje a Comissão Independente de Queixas à Polícia (IPCC).

A IPCC, encarregada de investigar o caso, disse que ainda não foi tomada nenhuma decisão sobre outros quatro agentes de categoria mais alta também envolvidos no incidente.

Jean Charles, 27 anos, foi morto a tiros em 22 de julho há dois anos por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard, na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres).

Os policiais teriam confundido o jovem com um dos autores dos atentados fracassados do dia anterior contra três estações de metrô e um ônibus urbano da capital. Ao anunciar sua decisão, a IPCC afirmou que um dos onze agentes investigados, a cargo das tarefas de vigilância, receberá "assessoria" em relação a medidas que tomou após o incidente, que não foram especificadas.

Um porta-voz da família de Jean Charles disse que esta está "seriamente decepcionada" com o veredicto da Comissão, que ainda não se pronunciou sobre o comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, a quem os parentes da vítima acusaram de ter enganado a opinião pública sobre o que aconteceu.

A Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) recebeu bem a recomendação da IPCC, e reiterou suas desculpas pelo erro cometido. Poucas horas depois da morte do brasileiro, Ian Blair disse que o jovem tinha sido alvo dos disparos porque tinha agido de forma suspeita.

No entanto, uma investigação posterior da Comissão mostrou que o brasileiro tinha entrado no metrô como um usuário qualquer, e também não estava com roupas que levasse a crer que estava escondendo uma bomba, como alegou a polícia.

Após receber um primeiro relatório da IPCC, a Procuradoria decidiu no ano passado inocentar outros agentes envolvidos no caso, mas acusou o corpo policial em seu conjunto de violar a lei de Saúde e Segurança no Trabalho, de 1974, por não cumprir seu dever de proteger a vítima.

Em dezembro passado, a Justiça britânica rejeitou o pedido da família de Jean Charles de rever a decisão do procurador de não processar nenhum agente. No entanto, o Tribunal Superior de Londres abriu em 19 de janeiro o caminho para que os parentes do brasileiro possam recorrer aos juízes da Câmara dos Lordes, máxima instância judicial do Reino Unido.

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