A IPCC, encarregada de investigar o caso, disse que ainda não foi tomada nenhuma decisão sobre outros quatro agentes de categoria mais alta também envolvidos no incidente.
Jean Charles, 27 anos, foi morto a tiros em 22 de julho há dois anos por agentes da brigada antiterrorista da Scotland Yard, na estação de metrô de Stockwell (sul de Londres).
Os policiais teriam confundido o jovem com um dos autores dos atentados fracassados do dia anterior contra três estações de metrô e um ônibus urbano da capital. Ao anunciar sua decisão, a IPCC afirmou que um dos onze agentes investigados, a cargo das tarefas de vigilância, receberá "assessoria" em relação a medidas que tomou após o incidente, que não foram especificadas.Um porta-voz da família de Jean Charles disse que esta está "seriamente decepcionada" com o veredicto da Comissão, que ainda não se pronunciou sobre o comissário-chefe da Scotland Yard, Ian Blair, a quem os parentes da vítima acusaram de ter enganado a opinião pública sobre o que aconteceu.
A Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) recebeu bem a recomendação da IPCC, e reiterou suas desculpas pelo erro cometido. Poucas horas depois da morte do brasileiro, Ian Blair disse que o jovem tinha sido alvo dos disparos porque tinha agido de forma suspeita.
No entanto, uma investigação posterior da Comissão mostrou que o brasileiro tinha entrado no metrô como um usuário qualquer, e também não estava com roupas que levasse a crer que estava escondendo uma bomba, como alegou a polícia.
Após receber um primeiro relatório da IPCC, a Procuradoria decidiu no ano passado inocentar outros agentes envolvidos no caso, mas acusou o corpo policial em seu conjunto de violar a lei de Saúde e Segurança no Trabalho, de 1974, por não cumprir seu dever de proteger a vítima.
Em dezembro passado, a Justiça britânica rejeitou o pedido da família de Jean Charles de rever a decisão do procurador de não processar nenhum agente. No entanto, o Tribunal Superior de Londres abriu em 19 de janeiro o caminho para que os parentes do brasileiro possam recorrer aos juízes da Câmara dos Lordes, máxima instância judicial do Reino Unido.
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.