Londres: acusado de atentado não queria se matar

03 de maio de 2007 • 17h30 • atualizado às 18h57

Um dos seis acusados dos fracassados atentados de 21 de julho de 2005 em Londres disse hoje num tribunal que, ao detonar sua mochila, "não tinha a intenção" de se suicidar nem de ferir ninguém.

Em seu primeiro testemunho a um júri, Yassin Omar, responsável pela bomba que não explodiu na estação de metrô de Warren Street, disse que o objetivo do grupo era apenas simular explosões em protesto contra a guerra "ilegal" no Iraque.

Omar, 26 anos, é o terceiro dos seis acusados a testemunhar num tribunal de Woolwich. Antes, se sentaram no banco dos réus o suposto líder do grupo, Muktar Said Ibrahim, e Kwaku Asiedu, que, de última hora, desistiu de participar do ato e abandonou sua mochila numa área de verde.

Um quarto acusado, Hussain Osman, 28 anos, se recusou a se apresentar no tribunal.

Assim como Ibrahim, Omar, que tentou fugir disfarçado com uma burka no dia seguinte aos falidos ataques, argumenta que o grupo não tinha planejado atentados com vítimas, posto que só queria chamar a atenção.

"Nunca me passou pela cabeça" que ficaria ferido na encenação, afirmou hoje, frisando que o plano era que os detonadores apenas fizesem um barulho parecido com o de uma explosão.

"E foi justo o que aconteceu", disse o acusado, que admitiu ter detonado com plena consciência a carga que carregava na mochila.

Os ataques de 21 de julho, cometidos duas semanas depois dos de 7 de julho - nos quais 52 pessoas morreram -, não causaram vítimas porque apenas os detonadores escondidos na mochila explodiram.

Durante o interrogatório, Omar, de origem somali, disse que a intenção era protestar contra a guerra no Iraque, que estava causando "sofrimento e morte a pessoas inocentes".

"Esperava que (a montagem) seria televisionada e levada a sério, e que isso pressionaria o Governo", declarou.

"Esperávamos que o Governo fosse mudar sua política externa e retiraria as tropas", acrescentou.

Com uma estratégia diferente, o ganês Asiedu tentou se distanciar do grupo, e acusou Ibrahim de liderá-lo e de ter planejado atentados tão grandes como os de 7 de julho.

Asiedu também assegura que foi obrigado pelo suposto líder a participar da trama.

Além de Ibrahim, Asiedu, Omar e Osman, os outros dois acusados pelos fracassados ataques de 21 de julho são Ramzi Mohammed, 25 anos, e Adel Yahya, 24.

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