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Brasileiros residentes na França preferem Ségolène

22 de abril de 2007 15h30 atualizado em 04 de maio de 2007 às 17h09

Os brasileiros com direito a voto nas eleições da França parecem ter um ponto em comum: o desprezo pela direita francesa. Seja por convicção socialista ou pelo temor do futuro com Nicolas Sarkozy na presidência, ao que tudo indica a maioria dos votos dos brasileiros deve ir para Ségolène Royal.

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Timberê Villas Boas, 34 anos, preferiu o voto útil para evitar que a esquerda ficasse novamente de fora do segundo turno, como aconteceu em 2002. Sua escolha original recairia sobre Olivier Besancenot ou José Bové, dois dos representantes mais à esquerda no espectro político francês, mas acabou optando pela candidata socialista para evitar um novo fracasso da corrente.

"Ja imaginou nossos netos ouvirem que Sarkosy ou Le Pen foram presidentes da França? Penso que a Ségolène será ótima presidente, e ainda mais por estar muito bem acompanhada pelos demais socialistas e que farão parte do seu governo", disse o motorista paulista de 34 anos. Casado com uma francesa, Villas Boas votou pela primeira vez em uma eleição francesa neste domingo. Ele considera que o país tem se distanciado cada vez mais das políticas sociais que um dia as tornaram o berço dos direitos humanos - na França, chamados de direitos do homem.

Motivação semelhante teve o mineiro Daniel Bredel, 26 anos, que manifestou seu direito em Belo Horizonte, também pela primeira vez. Bredel planeja estudar em Rouen, na França, até o final do ano. Ciente que a comunista Marie-George Buffet não chegaria o segundo turno, optou pela socialista.

"O Sarkozy é o pior de todos, ele defende políticas liberais, ignora os direitos das pessoas, reage de maneira truculenta às manifestações. Aqui no Brasil os liberais já fizeram estragos, mas se acontece algo semelhante na França será muito triste e provavelmente servirá de exemplo para os governantes daqui", analisou.

Já a agente de viagens Ana Paula Delerue, 28 anos, deposita confiança em Ségolène porque, além de considerar todos os demais candidatos "horríveis", acredita que uma mulher na presidência poderá desenvolver uma administração mais humana e bem organizada.

"Não sou muito chegada em política, mas o Sarkozy, com aquela expressão de raiva o tempo todo, chega a me dar medo. Eu gostaria muito de ver a França governada por uma mulher, e a Ségolène me inspira muita confiança", afirmou Ana, casada há quatro anos com um francês e residente em Paris há seis.

Na contramão vai o engenheiro eletrônico Michel Gardes, 27 anos, morador da cidade de Saint Maur des Fosses há seis anos. O brasileiro já havia votado pela adoção da Constituição européia em 2006, e hoje escolheu Sarkozy para a presidência.

"Apesar de não estar de acordo com todas as suas idéias, acho que é o único que tem realmente consciência das dificuldades econômicas pelas quais a França está passando e é o único a propor soluções concretas, que elas agradem ou não à maioria. A economia da França precisa de um impulso para tornar-se mais dinâmica, e não vejo proposições coerentes nesse sentido, sobretudo nos partidos de esquerda", observou o engenheiro.

Na lista de discussões pela internet da Associação dos Pesquisadores e Estudantes Brasileiros na França, as polêmicas sobre a eleição não foram poucas durante os meses de campanha, mas os defensores do candidato líder das pesquisas eram raros. As maiores críticas se referem às políticas de imigração anunciadas pelo ex-ministro do Interior caso eleito à presidência.

Lembrança da ditadura influencia voto A cientista política Tatiana Coutto destaca que a proposta de Sarkozy de criar um ministério da Identidade Nacional pode trazer aos brasileiros lembranças da ditadura militar no Brasil. Esse fator, unido à condição de serem estrangeiros no país, pode ser determinante.

"Não acho que exista algo como voto dos franco-brasileiros". Franco-brasileiros com mais anos de escolaridade são menos sensíveis a discursos inflamados e frases de efeito. Tendem a votar Ségoléne. Não exatamente porque ela é excelente candidata, mas porque não querem ter nem Sarkozy nem Le Pen como presidente".

Redação Terra