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Fora do pleito, imigrantes torcem contra Sarkozy

22 de abril de 2007 11h29 atualizado às 11h51

O favorito Nicolas Sarkozy: imigrantes das periferias torcem contra vitória do candidato. Foto: AP

O favorito Nicolas Sarkozy: imigrantes das periferias torcem contra vitória do candidato
Foto: AP

Não fossem os cartazes afixados nos locais de votação, na periferia de Paris seria difícil supor que hoje é o dia do primeiro turno das eleições presidenciais na França. Nos "banlieues", como são chamados os subúrbios, o domingo se parece como qualquer outro do calendário: não há o menor indício de campanha para qualquer um dos 12 candidatos, as feiras de rua aconteceram normalmente e os bares, de onde se ouve conversas em todas as línguas imagináveis, menos o francês, estavam cheios. Toda essa aparente apatia se explica: em regiões como Saint-Ouen ou Saint-Denis, a lei não dá direito ao voto a grande parte da população.

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É nas periferias que se amontoam os milhares de imigrantes que pautaram o tema central de toda a campanha presidencial. Lá, gente como a iugoslava Grami, residente há 40 anos nas proximidades da capital francesa, não pode fazer nada além de torcer para que os vitoriosos desta eleição não sejam os representantes da direita. As promessas de endurecimento das rédeas com os estrangeiros de Nicolas Sarkozy (UMP) e Jean-Marie Le Pen (Frente Nacional) causam medo na senhora de 62 anos, que ganha a vida vendendo bugigangas na rua.

"Mesmo depois de todo este tempo, jamais me senti bem-vinda aqui. A constante impressão que tenho é de que a qualquer momento podem decidir me mandar embora", confessa a senhora. "Na vizinhança, me relaciono muito bem como todo mundo, me sinto em casa. Mas os franceses. É difícil, toda a vez que preciso do governo ele não está muito disposto a me ajudar em nada."

Outros, como o filho de imigrantes argelinos Mohammed - que, como Grami, não quis revelar o nome completo - julgam que a guerra contra o preconceito aos estrangeiros na França ainda não está perdida, mas para isso os socialistas têm de conseguir chegar novamente ao poder.

"Mesmo para os imigrantes legais, com toda a documentação em ordem, não é nada fácil encontrar um emprego que pague bem. Então o que acontece? A gente precisa arrumar alguma coisa para vender na rua e complementar o orçamento, porque aqui imigrante não consegue subir na sociedade", disse o vendedor, confiante de que "o povo francês vai fazer a escolha certa desta vez".

No momento em que Mohammed dizia isso, uma mulher que observava os objetos à venda interrompeu a conversa e questionou, com um francês impecável: "você não está com medo de hoje à noite?", ao que o vendedor respondeu "não, não tenho medo. Os franceses no fundo se envergonham desse preconceito e acho que desta vez será diferente".

A mulher, com a fisionomia fechada, então saiu dizendo: "pois deveria. Você deveria estar morrendo de medo do resultado nesta noite."

A imigração em números
Na França, 8% da população é de origem estrangeira. Dos 4,9 milhões de imigrantes, cerca de 40% tem nacionalidade francesa, obtida através de filiação ou de casamento.

Um bebê nascido na França e filho de estrangeiros não tem direito de obter a nacionalidade francesa. A maioria dos imigrantes vem de países africanos (2,2 milhões), seguidos dos que vem da própria União Européia (1,7 milhões).

Redação Terra