EUA

EUA

Sexta, 20 de abril de 2007, 15h33 Atualizada às 16h01

Cineasta rejeita vínculo entre filmes e matança

Considerado um dos mestres do terror, o cineasta Wes Craven rejeitou qualquer vínculo entre filmes do gênero e a matança que ensangüentou a universidade Virginia Tech, onde 32 estudantes e professores foram assassinados por um aluno de origem sul-coreana.

Alguns afirmam que o violento filme sul-coreano Old Boy pode ter inspirado o ataque selvagem de Cho Seung-Hui. Nas fotos enviadas à emissora de televisão NBC, de fato o jovem assassino posa exibindo um martelo, numa forma que lembra o cartaz deste filme violento, lançado em 2004.

Cho, que passou um breve período em um hospital psiquiátrico, se suicidou na segunda-feira após a matança.

Mas para Wes Craven, criador das séries "A Hora do Pesadelo" e "Pânico", assassinos como Cho em geral se tornam violentos por fatos que remontam à sua infância e não por causa do cinema.

"Se alguém tem pensamentos violentos, se vê atraído por coisas violentas", disse Craven em entrevista à AFP. "Mas, são as coisas violentas que levam a pensamentos violentos? Acho que não", acrescentou.

Para encontrar a origem de tamanha violência, sugeriu o cineasta, "deve-se remontar ao início, ver o passado individual" da pessoa "antes de tirar qualquer conclusão".

"Os filmes de terror e os filmes violentos não são a causa da violência em si mesma", afirmou, negando que tente tornar a violência algo atraente.

"Cada vez que faço um filme que contém violência, tento fazer com que não pareça agradável", disse o cineasta, entrevistado em Beverly Hills durante evento organizado para a promoção do filme francês "Paris, eu te amo", uma coletânea de curtas na qual ele dirigiu o trecho "Père-Lachaise", dedicado ao famoso cemitério parisiense.

O cineasta, de 67 anos, reconhece que se sentiu enojado quando alguns políticos americanos apontaram o dedo para Hollywood depois da tragédia da Virginia Tech. Para ele, as reportagens diárias sobre a violência no Iraque transmitem muito mais violência do que qualquer filme.

"Há muita violência em todo lugar", disse. "A começar por uma guerra na qual 150 pessoas são assassinadas num dia. São corpos verdadeiros", acrescentou, em alusão aos atentados praticados na quarta-feira, em Bagdá, que custaram a vida de 172 pessoas.

"Uma parte de mim se enfurece quando as pessoas começam a apontar o dedo para os cineastas" para acusá-los de todos os males, afirmou.

O diretor criticou abertamente a administração do presidente americano, George W. Bush, que não hesitou em utilizar métodos de interrogatório violentos no Iraque ao ponto de organizações de defesa dos direitos humanos acusarem os Estados Unidos de torturar prisioneiros.

"Não me surpreende que haja tantas cenas de tortura nos filmes de terror porque isto acontece cada vez mais no Iraque ou nas prisões secretas da CIA", denunciou.

"Esta é a realidade, que não faz mais que deslizar, insidiosamente, para os filmes ", concluiu.

  • Imprima esta notícia
  • Envie esta notícia por e-mail

Busca

Busque outras notícias no Terra: