Internado, Colin Goddard se recupera dos três disparos que recebeu de Cho Seung-hui no massacre |
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A primeira aula de Goddard na segunda-feira era com a turma de francês, orientada pela professora Jocelyne Couture-Nowak, às 9h05, na sala 211 do edifício Norris Hall. Ele estava um pouco atrasado já que havia parado para dar carona a um colega que teve problemas com o carro. No trajeto à sala, os dois conversaram rapidamente sobre faltar à aula, mas desistiram.
Goddard contou à revista que, poucos minutos depois de entrar na sala, ouviu uma série de estampidos. "Por favor, me falem que isso não é o que eu estou pensado que é", disse a professora à sala. Goddard conta que, como o prédio estava constantemente em obras, esse barulhos eram recorrentes e já haviam sido alvos de reclamações dos alunos.
Mesmo assim, Jocelyne abriu a porta para olhar pelo corredor. "Ela imediatamente fechou a porta com um olhar aterrorizado e pediu para ligarmos para a polícia." Enquanto Goddard tentava explicar ao policial o que estava acontecendo, e o local exato do incidente, outros alunos tentavam fazer barricadas na porta. "Foi quando eu comecei a ver buracos de bala surgindo na porta".
Goddard disse ainda à Newsweek que todos deitaram no chão imediatamente. Segundo ele, Cho não disse nada a ninguém nem fez exigências. Apenas passeou pelas fileiras disparando várias vezes contra os estudantes no chão. Goddard foi atingido três vezes: na perna, na nádega e no ombro. Ele contou que segundos depois de receber o terceiro disparo ouviu um último tiro. Teria sido o disparo com que Cho se suicidou.
"Eu então ouvi os policiais gritando: 'O atirador foi atingido. Código preto'. Eles classificavam a gente com cores. Eu era amarelo. Tinham alguns verdes, alguns vermelhos e alguns pretos. Eu deduzi que preto signifique morte".
O massacre
As mortes na Virginia Tech ocorreram em dois tiroteios. Os disparos começaram num alojamento do campus, o West Ambler Johnston Hall. A polícia foi chamada por volta das 7h15 de segunda (8h15 em Brasília).
O primeiro tiroteio deixou duas vítimas fatais: uma homem e uma mulher. A polícia vasculhou o prédio e não encontrou o atirador. Acreditando que o edifício estava seguro, as autoridades deixaram o campus.
Menos de duas horas depois, recomeçaram os disparos num segundo prédio da Engenharia, chamado Norris Hall. Lá, 30 pessoas morreram. Cho Seung-hui usou duas pistolas semi-automáticas no ataque: uma Glock 9 mm e uma Walter P, calibre 22.
Carta"Vocês me levaram a fazer isso", teria escrito Cho. Em sua carta, o atirador critica "alunos ricos, charlatães mentirosos e a libertinagem" dos alunos da Virginia Tech, informa o jornal Chicago Tribune.
Investigação
Autoridades da universidade ainda estão investigando se Cho é também o atirador responsável pelo primeiro tiroteio no edifício West Ambler Johnston que deixou dois mortos.
Entretanto, Wendell Flinchum, chefe da polícia do campus, acredita que Cho é atirador dos dois incidentes que aconteceram na manhã de ontem. Ele disse que testes balísticos indicam que uma das armas recolhida no edifício Norris Hall, palco das outras 30 mortes, também foi utilizada nos disparos feitos no West Ambler Johnston.
A polícia do Estado da Virginia também acredita que trata-se de um único atirador para os dois ataques, disse o coronel Steven Flaherty. "É razoável pensar que Cho era o atirador nos dois prédios, mas não temos provas suficientes que nos garantam isso."
Tímido e estranho
O estudante sul-coreano morava nos Estados Unidos havia 14 anos, mas vizinhos e colegas disseram saber muito pouco sobre sua vida. O rapaz mudou-se para os EUA com os pais em setembro de 1992, segundo informações da imigração. Ele tinha "greencard" e podia morar e trabalhar nos EUA.
"Ele era solitário e estamos com dificuldades para encontrar informações sobre ele", disse Larry Hincker, porta-voz da universidade.
O estudante cursava literatura em língua inglesa e já tinha dado sinais de comportamento incomum, como quando iniciou um incêndio num quarto do alojamento da universidade, ou ao perseguir mulheres, disseram fontes pessoas próximas à investigação ao jornal Chicago Tribune.
Segundo o jornal, os investigadores acreditavam que Cho já havia tomado, em algum momento da vida, remédios contra a depressão. "Ele era muito calado, estava sempre sozinho", disse ao jornal Abdul Shash, vizinho da família de Cho em Centreville, na Virgínia. Segundo Shash, Cho passava a maior parte de seu tempo livre jogando basquete, e não respondia quando alguém o cumprimentava.
Com agências internacionais
Redação Terra