Ramos Horta tem pequena vantagem no Timor Leste

10 de abril de 2007 • 05h29 • atualizado às 05h47

O primeiro-ministro do Timor-Leste, José Ramos Horta, tem uma pequena vantagem sobre seus principais adversários nas eleições presidenciais, segundo os votos apurados principalmente em Díli, a capital do país.

Segundo o sacerdote Martinho Gusmão, porta-voz da Comissão Eleitoral Nacional, Ramos Horta lidera na capital, onde vivem cerca 160 mil moradores, dos cerca de um milhão do Timor Leste.

Gusmão afirmou que o primeiro-ministro é seguido, em Díli, de perto pelo líder do governamental Fretilin, Francisco Guterres, assim como por Fernando Araujo, do Partido Democrático, e Francisco Xavier do Amaral, da Associação Social Democrática Timorense.

A partir destes dados, o religioso mostrou suas dúvidas de que esses candidatos consigam mais de 50% dos votos válidos emitidos, o que pode levar a decisão para o segundo turno, que aconteceria dentro de 30 dias entre os dois mais votados.

Gusmão desmentiu também as informações de hoje dos jornais Timor Post e Suara Timor Lorosae, os mais importantes do país, que davam conta que Ramos Horta obteria a maioria dos votos em Díli.

"Desconheço de onde esses dois jornais obtiveram essa informação, mas são inexatas e pouco confiáveis, porque nossos dados mostram uma margem muito pequena entre os candidatos citados", assinalou o porta-voz.

Acrescentou que suas informações são originadas da apuração de 108 colégios eleitorais dos 113 instalados em Díli, o que representa 80% dos votos da capital. Esses números foram rechaçadas depois por Mari Alkatiri, ex-primeiro-ministro e secretário-geral do Fretilin, que indicou por telefone à Efe que os resultados da capital não devem ser considerados os do país.

"Não podemos tomar Díli como um barômetro para buscar um vencedor das eleições", assinalou Alkatiri, que se mostrou convencido da vitória de Guterres até mesmo sem a necessidade do segundo turno.

"Lu-Olo (como Guterres ficou conhecido durante sua época de guerrilheiro contra a ocupação indonésia) não necessita de segundo turno, porquê ele e o Fretilin ganharão de forma absoluta", indicou Alkatiri. O Fretilin, o partido que liderou a luta pela independência da Indonésia, conta com um maior número de simpatizantes nas áreas rurais, mas sofreu um certo desgaste político em Díli, após os violentos fatos de meados de 2006.

A onda de violência começou após a ordem de Alkatiri, então primeiro-ministro, de expulsar cerca de 600 militares que tinham declarado greve para denunciar o nepotismo no Exército.

Os expulsos começaram então uma série de manifestações em Díli que foram reprimidas pelas forças da ordem, o que gerou uma espiral de violência que provocou a morte de cerca de 30 pessoas e o abandono de seus lares de mais de 100 mil. A crise diminuiu em parte após a renúncia de Alkatiri, que foi substituído por Ramos Horta, um aliado do atual presidente, Xanana Gusmão.

Está previsto que os resultados preliminares das eleições presidenciais sejam divulgados nesta quarta-feira, enquanto a Comissão Eleitoral Nacional planeja anunciar o resultado oficial em 19 de abril.

Independentemente da realização de um segundo turno, as eleições legislativas deverão acontecer em junho ou julho, quando será conhecido o novo primeiro-ministro.

Xanana Gusmão já anunciou sua candidatura, após formar seu próprio partido, o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense, que conta com o apoio de Ramos Horta, que aparece no pleito presidencial como independente.

Segundo os analistas, os dois tentam acabar com a maioria do Fretilin no Parlamento para dirigir o país afastados da tradicional agenda de esquerda desse partido.

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