Atendimento noturno vira mania em salões de beleza

05 de abril de 2007 • 17h17 • atualizado às 17h17

Às 18h30, quando a maioria dos salões de beleza dos Estados Unidos começam a fechar para a noite, a happy hour no novo salão Frederik Fekkai, no SoHo, está apenas começando.

O volume da bossa nova eletrônica de Bebel Gilberto sobe. As taças de vinho espumante Simple Peche tilintam. E as corujas da beleza noturna - clientes que marcam seus horários para depois que escurece - começam a chegar. "Há dois tipos de coruja da beleza noturna", explica Melissa Maron, 25 anos, uma loira de pele cremosa à Vermeer, que estava fazendo uma permanente no salão Fekkai às 19h da quinta-feira passada. "Há a mulher que recebe uma massagem, uma limpeza de pele, toma um copo de vinho e depois vai dormir, e há a mulher que faz o cabelo e as unhas para sair direto do salão para a noite e exibir os resultados, que é o que eu gosto de fazer".

Depois do corte de cabelo, Maron, que trabalha no departamento de desenvolvimento de produtos da Victoria's Secret Beauty, planejava se encontrar com amigos para comer tapas e para drinques no GoldBar, em Little Italy. O melhor sobre um horário tardio no salão, ela diz, "é que você pode ir ao cabeleireiro completamente pronta para a noite". Com o espaço aberto e a aparência modernista de um loft em Tribeca, o novo salão Fekkai tem por objetivo atrair as pessoas mais antenadas da região central da cidade, que gostam de noitadas longas, acordam tarde e preferem fazer o cabelo à noite ¿ o salão fecha às 21h.

Mas o turno da noite nos salões de beleza não atrai apenas as mulheres de 20 e poucos anos que gostam de dançar madrugada afora. Alguns salões e spas em todo o país estão começando a atender às pessoas cujos empregos não permitem que seus cortes de cabelos, massagens ou unhas sejam tratados no horário do almoço. Outros salões experimentam ocasionalmente com um horários mais longos, para determinar se a demanda é interessante.

Alguns salões e spas também estão aproveitando o horário noturno para se apresentarem mais como locais de convivência, com jeito de happy hour, bebidas, salgadinhos e, em alguns casos, DJs. O resultado é uma cena eclética de beleza noturna, nas quais executivas vindas do trabalho dividem o espaço com jovens em jeans sumários cujas noitadas estão apenas começando.

Para acomodar ambos os grupos, o Red Market Salon, na Gansevoort Street, serve café e vinho. O espaço, também com jeito de loft, paredes de tijolos expostos, pintados de branco, e cadeiras de cabeleireiro vermelhas brilhantes, funciona pelo menos até as 23h, e ocasionalmente organiza festas e exposições de arte. "Nossas freguesas são jovens e gostam de andar na moda. Marcam hora para fazer mechas às 21h30, porque vão se encontrar com os amigos às 23h30", disse Reynard Ricard, um dos proprietários do salão. "Mas a maioria das clientes noturnas são advogadas, corretoras de valores, executivas de bancos".

Além da conveniências, algumas clientes preferem esses horários porque os salões ficam menos lotados e os estilistas são mais atenciosos. Às 21h da quinta-feira passada, Megan French, produtora da Viacom, estava sendo atendida no último horário do Paul Labreque Salon and Spa, parte do Reebook Sports Club/NY, no Upper West Side. Normalmente muito movimentado durante o dia, o salão, que fica aberto até as 23h em dias de semana, estava tranqüilo, quase repousante. "À noite, aqui, o telefone não toca sem parar, não há entregadores chegando e saindo o tempo todo, ou filhas conversando com suas mães", disse French. "Talvez horários noturnos estejam virando tendência porque as coisas ficam mais calmas quando os horários não ficam empilhados uns sobre os outros".

Há quem prefira horários noturnos pelo lado social da experiência. No Fekkai, por exemplo, as estações de trabalho, de madeira sólida, antiquada, foram projetadas para encorajar as clientes a conversar umas com as outras quando estão secando ou colorindo os cabelos ¿ o equivalente de um jantar em família, mas no ambiente de um salão de beleza.

"O salão de beleza, não o bar, se tornou ponto de encontro", disse Fabrice Gili, diretor de criação do salão Fekkai no Soho. "Nós nos tornamos um lugar de convívio, como o apartamento de alguém, um lugar de lazer, interação, relaxamento, um lugar onde começar uma noitada". Eis algumas cenas dos salões de beleza de Manhattan na noite da sexta-feira passada.

No Fekkai, 394 West Broadway, Jodi Jordan, 22 anos, professora de jardim da infância em Manhattan, estava aparando as franjas enquanto duas amigas com óculos de sol exagerados, jeans afunilados e bolsas de grife estudavam com descaso premeditado. "Os vídeos aqui são ótimos", disse Jordan. "É um lugar que está na moda para os jovens do centro de Manhattan, e eles servem champanhe, depois das 17h30.

No Red Market Salon, 32 Gansevoort Street, Krystal Mozell, recepcionista em um consultório médico em Manhattan, esperava, acomodada em um sofá de vinil vermelho, por seu horário para um corte de cabelos, enquanto outras clientes com os cabelos protegidos por redes e usando roupões tomavam vinho e conversavam. "Cortar o cabelo depois do expediente é mais relaxante, especialmente em lugares sociáveis como esse".

No Okeanos, 211 East 51 Street, freqüentado por bailarinas e jogadoras de hóquei russas, há uma sauna ao estilo russo e tratamentos tradicionais daquele país, como o platza, uma massagem vigorosa com ramos de bétula. Steve Rosenblatt, que acabava de sair da sauna com sua colega Madina Axelrod, tinha um copo de vodca em uma mão e um blini com cobertura de salmão na outra. "As pessoas têm preconceitos contra saunas, mas elas são antídoto sensacional para o estresse de advogados e outras pessoas que precisam relaxar depois do trabalho".

The New York Times
 
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