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 Oficial inglês pede camicase para matar Bin Laden
05 de abril de 2007 12h20

David Walker, vice-marechal do ar na força aérea britânica, não esperava a resposta que recebeu quando perguntou a seus pilotos se estariam dispostos a voar em missões suicidas e sacrificar suas vidas ¿ e aviões que valem quase cem milhões de euros - a fim de eliminar altos dirigentes do Talibã afegão ou da Al-Qaeda. "Sim, senhor; depois do senhor, senhor. Basta o senhor ir na frente e nos mostrar como fazê-lo".

A iniciativa de que o Reino Unido imite os camicases japoneses da Segunda Guerra Mundial ou os terroristas suicidas do Oriente Médio, mesmo que para acabar com Osama Bin Laden ¿ se é que ele ainda vive - ou evitar carnificina como a do 11 de setembro, não caiu bem entre os pilotos da Real Força Aérea (RAF), que se orgulham de sua dedicação e profissionalismo em um trabalho que acarreta enormes riscos, mas não acreditam que esse tipo de sacrifício seja parte de suas obrigações, nem mesmo nas circunstâncias mais extraordinárias.

"Trata-se de um caso muito interessante", opina Eleanor Mauger, especialista em psicologia bélica, "e demonstra as enormes diferenças culturais entre Oriente e Ocidente. Enquanto na Palestina ou Iraque surgem muitas pessoas dispostas a operar como terroristas suicidas, seja por desespero, ódio ou fanatismo religioso e crença de que haja mil virgens à espera deles no paraíso, na Inglaterra é considerado insensato solicitar a um militar profissional que faça o sacrifício supremo".

A simples menção da idéia causou grande polêmica no país, em meio ao fervor patriótico que cerca o 25° aniversário da guerra das Malvinas. Os comandantes da força aérea britânica se viram forçados a admitir que Walker havia proposto aos pilotos a possibilidade de se converterem em camicases, mas com a importante ressalva de que "se tratava de uma simples pergunta hipotética que tinha por objetivo provocar uma reação e descobrir até onde eles estavam dispostos a chegar".

O líder propôs a seus comandados um cenário extremo: o que eles teriam feito na Segunda Guerra Mundial caso tivessem na mira o carro de Hitler e descobrissem que a única maneira de destrui-lo era arremessar o avião contra ele? O que fariam no Afeganistão, sob as mesmas circunstâncias, se o carro transportasse Bin Laden ou um alto dirigente do Talibã que planejasse ataque contra uma grande cidade britânica? Seriam capazes do supremo sacrifício para impedir atentados terroristas?

"Os militares do Reino Unido", disse a doutora Mauger, "podem ter comportamento heróico e morrer salvando as vidas de companheiros ou desconhecidos, ou cumprindo ordens em missões delicadas das quais não sabem se escaparão vivos, como já o provaram em numerosas guerras. Mas uma coisa é correr riscos, por mais elevados que sejam, e outra é operar como camicases, arremessando seus aviões contra um alvo".

O vice-marechal do ar Walker é um piloto de elite que realizou missões no Iraque e sobreviveu ao fogo inimigo e à destruição da cabine de pilotagem de seu Harrier. Agora, ele está encarregado de treinar pilotos, e fez a pergunta durante uma aula na escola de avião militar de High Wycombe. Os pilotos inicialmente ficaram boquiabertos, mas um terminou por responder: "Eu estaria disposto a me suicidar se o senhor fosse na frente e mostrasse como fazê-lo na prática, senhor".

Um dos pilotos comentou que "a idéia de liderança de Walker consiste em se ver como autoridade que ordena as primeiras missões camicase nos 89 anos de existência da RAF, como se ele tivesse o poder de decidir sobre a vida e a morte de todos os subordinados". Um outro piloto presente comentou que "a simples sugestão de que oficiais possam ordenar missões suicidas a soldados profissionais britânicos é repugnante. O heroísmo consiste em assumir riscos, mas sempre com o propósito de sobreviver e voltar a combater".

La Vanguardia
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