Papa completa 25 anos no cargo em meio a boatos

Os boatos sobre a saúde do papa estão cada vez mais intensos e a cada aparição pública aumenta a expectativa sobre seu estado
Os boatos sobre a saúde do papa estão cada vez mais intensos e a cada aparição pública aumenta a expectativa sobre seu estado
07 de outubro de 2003
AP

João Paulo II completa 25 anos de papado no dia 16 de outubro em meio a uma avalanche de comentários sobre seu estado de saúde. Desde que não pode participar de uma audiência no Vaticano por causa de problemas intestinais, no dia 24 de setembro, vários homens da Igreja se dispuseram a falar sobre seu "real" estado físico.

O primeiro deles foi o diretor da Congregação para a Defesa da Doutrina da Fé, o cardeal alemão Joseph Ratzinger, que disse no dia 30 de setembro que o Papa estava mal e pediu orações. A declaração foi rapidamente desmentida pelo Vaticano, que rebateu confirmando uma recheada agenda papal.

Este padrão de "mentido e desmentido" se seguiu nos próximos dias, sem que o Vaticano conseguisse impedir o surgimento de suposições sobre a iminência de uma nova eleição papal. Os boatos aumentaram ainda mais com a nomeação, de 31 novos cardeais, no dia 28 de setembro.

Toda vez que o papa nomeia novos "príncipes" (cardeais), os boatos começam a circular. Desta vez, porém, as especulações parecem mais frenéticas. "A responsabilidade é maior para nós do que para os cardeais de 24 anos atrás", afirmou o arcebispo Philippe Barbarin, de Lyon (França), um dos novos cardeais. "O Papa está chegando ao final de sua caminhada", disse ele. "Essa é uma grande responsabilidade para nós. O Papa está muito mal".

As nomeações dos cardeais foram provavelmente a última chance para João Paulo II de moldar o grupo que escolherá o seu sucessor. Novamente, ele trouxe religiosos de várias partes do mundo, entre as quais Brasil, Sudão, Gana, Nigéria, Vietnã, Guatemala, e Índia, aumentando as chances de o novo papa não vir da Europa.

"As escolhas dele melhoram a representação da Igreja Católica no mundo hoje. Elas preparam os cardeais para uma discussão mais apropriada no próximo conclave", disse Marco Politi, biógrafo do papa.

Postura conservadora
Com exceção de cinco cardeais, o atual pontífice escolheu todos os outros que formam o Colégio de Cardeais, aumentando as chances de o próximo líder católico seguir a mesma postura conservadora do atual. Vários membros da Igreja disseram que o próximo pontífice deveria sair do mundo em desenvolvimento porque é nessa região onde o catolicismo é mais forte e onde está em expansão.

O arcebispo do Rio de Janeiro, dom Eusébio Oscar Scheid, escolhido como cardeal na última onda de nomeações, afirmou que o próximo pontífice deveria vir da África. Segundo dom Eusébio, a escolha seria um sinal poderoso a favor do continente, onde "há muito sofrimento".

A Europa detém cerca de 50% do Colégio de Cardeais, mas muitos dos cardeais europeus não querem a volta de um pontífice italiano. João Paulo II foi o primeiro papa não-italiano em 455 anos.

Redação Terra
 
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