Nomeações do Papa fortalecem conservadores

29 de setembro de 2003 • 10h30 • atualizado às 14h14
João Paulo II nomeou ontem 31 cardeais Foto: AP
João Paulo II nomeou ontem 31 cardeais
24 de setembro de 2003
Foto: AP

A escolha dos 31 novos cardeais nomeados pelo papa João Paulo II deve fortalecer a ala conservadora da igreja Católica, segundo o padre e teólogo suíço Hans Küng. Para ele, a não ser que entre os nomeados esteja disfarçado um "Gorbachov católico" - ou seja, um reformista - a eleição para o novo papa seguirá a linha conservadora defendida por João Paulo II.

"Está claro que o papa pretende predeterminar as eleições papais", afirmou Küng. Com as novas indicações, 96% dos cardeais atuais foram escolhidos por João Paulo II.

Entre eles está Dom Eusébio Oscar Scheid, arcebispo do Rio de Janeiro. Além dele, foram nomeados sete funcionários do Vaticano e ainda arcebispos de países como Itália, Nigéria, França, Espanha, Vietnã, Polônia, Estados Unidos, Guatemala e Índia.

Saúde
Com a saúde de João Paulo II cada vez mais debilitada, crescem as especulações sobre seu sucessor, em um momento em que a igreja Católica atravessa uma das fases mais difíceis de sua existência. "Hoje, a igreja Católica nos Estados Unidos está à beira de um declínio irreversível ou de uma transformação completa", diz Küng, referindo-se aos estragos causados pelos casos de pedofilia envolvendo padres da região de Boston.

O especialista em teologia, Francisco Pimentel, concorda com a análise. Para ele, o estrago foi tão grande que dentro da cúpula católica existe quase uma unanimidade sobre a necessidade de mudanças. "O próximo papa tem que ser progressista, os cardeais sabem disso", afirma Pimentel. "O número de fiéis no mundo inteiro está caindo. No Brasil a igreja católica perde milhares de fiéis para as igrejas evangélicas a cada ano."

Reformista
Apesar das pressões por mudanças, o padre suíço Küng acha difícil que entre os recém-nomeados cardeais esteja algum reformista. "Nunca ouvi qualquer coisa sobre qualquer um deles que mostre que eles são mais abertos", destaca.

Dom Eusébio, entretanto, já causou polêmica ao defender a descriminação das drogas do Brasil, embora, apesar disso, seja considerado conservador. Todos os cardeais com menos de 80 anos têm o direito de participar da eleição papal.

O nome de um dos cardeais nomeados foi mantido em sigilo. O Vaticano age assim quando o cardeal apontado vem de um país em que a igreja é oprimida. Os indicados assumem o cardinalato em uma assembléia de cardeais - conhecida como consistório - presidida pelo papa, no dia 21 de outubro. Esta foi a nona ocasião em que o papa João Paulo II nomeou novos cardeais.

BBC Brasil - BBC BRASIL.com - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC BRASIL.com.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »