O arcebispo do Rio, Dom Eusébio Oscar Scheid, agradeceu hoje a nomeação para cardeal que recebeu do papa João Paulo II. A nomeação foi encaminhada hoje pelo pontífice e anunciada durante a missa dominical na TV Educativa.
Dom Eusébio agradeceu a nova nomeação destacando a "bondade do nosso querido santo Papa em me agraciar com o chapéu cardinalista". Ao afirmar que recebe o novo título com muita naturalidade e simplicidade, o arcebispo do Rio, disse que "a nomeação não se deve à minha pessoa, mas à importância da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Recebo com muita gratidão a nova nomeação, que fará com que eu trabalhe ainda mais pela Arquidiocese de São Sebastião", concluiu, antes de iniciar a celebração da missa.
A partir de agora, o chefe da Igreja Católica no Rio passa a integrar o Colégio Cardinalício, o seleto grupo de religiosos que tem, entre outras funções, eleger o substituto de João Paulo II. A nomeação de Dom Eusébio também o torna apto para ser eleito Papa. Dom Eusébio foi nomeado arcebispo do Rio em 23 de janeiro de 1991.
Histórico
O arcebispo já defendeu a despenalização das drogas e é um fanático pelo futebol, confessando-se torcedor do modesto Bangu, cujos jogos gosta de ver quando suas atividades lhe permitem. Nascido na cidade de Luzerna, no estado de Santa Catarina, em dezembro de 1932, Scheid se formou em Filosofia na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e posteriormente se formou em Teologia no mesmo centyro de altos estudos.
Em 1961, foi nomeado bispo da cidade de São José dos Campos, no interior do estado de São Paulo, até que em 1991 foi investido como arcebispo da cidade de Florianópolis (capital de Santa Catarina). Em 2001, foi nomeado arcebispo do Rio de Janeiro, onde desempenha suas funções pastorais atualmente, em substituição a Dom Eugênio Sales.
Quando assumiu suas funções como arcebispo do Rio de Janeiro, Scheid rapidamente se tornou popular fora do âmbito da igreja por sua firme defesa da participação cidadã na vida política. Entretanto, o novo cardeal brasileiro não conseguiu articular um bom canal de diálogo com o então governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, um fervoroso evangélico. Entretanto, realizou constantes esforços para manter as divergências fora do campo religioso.
Scheid causou um forte impacto ao chegar ao Rio de Janeiro, já que defendeu a despenalização das drogas. Uma iniciativa desse tipo em todo o mundo - disse o novo cardeal em uma famosa entrevista que concedeu à revista IstoÉ - "seria um passo importante para a humanidade. Não acho que faça aumentar o número de consumidores".
Em contrapartida, Scheid sempre se manifestou contrário à homossexualidade e ao divórcio. Dois dos livros que escreveu são dedicados à família: "Preparação para o casamento e a vida familiar" e "Introdução à pastoral familiar".
Como qualquer brasileiro, o cardeal Scheid aprecia muito o futebol e desde que chegou ao Rio de Janeiro admitiu que é torcedor de um dos mais modestos clubes da cidade, o Bangu (que já foi grande entre as décadas de 30 e 60). Até o ano passado, em seus raríssimos tempos livres, costuma acompanhar os jogos do Bangu como um anônimo na arquibancada.
JB Online