"Eles só nos disseram que ele morreu. Conseguimos o que queríamos, ele conseguiu o que queria. Estou feliz por meu irmão finalmente estar livre. É um enorme alívio", disse Laurent Humbert à TV LCI. Depois de receber a injeção, Humbert entrou em coma e passou a depender de aparelhos para sobreviver. O pai dele disse ter ficado "furioso e revoltado" com o empenho dos médicos e fez um acordo com eles para deixar seu filho morrer.
"Tudo o que minha mulher fez será um fracasso se o mantiverem vivo", disse o pai ontem à rádio Europe 1. O problema de Humbert chegou a comover até o presidente Jacques Chirac, que tem uma filha com graves deficiências físicas. Ele passou a acompanhar o caso em novembro de 2002, quando recebeu do jovem Humbert uma carta pedindo para morrer.
O ministro dos Assuntos Sociais, François Fillon, propôs hoje que a lei seja mudada. Ele disse que a mãe de Humbert, Marie, deve ficar orgulhosa por ter reaberto o debate quando tentou ajudar seu filho a morrer. "Como membro do governo não posso defender a violação da lei, mas precisamos abrir um debate para modificar nossas leis e levar em conta situações como essas", declarou Fillon à rádio. "O que Marie Humbert fez não me chocou. Ela pode se orgulhar de ter permitido a abertura deste debate."
Chirac, que tem o poder de anistiar quem viola leis, recusou o pedido de Humbert no ano passado, mas desde então mantém contato com a família.
Mudança polêmica
A eutanásia, que vem do grego "boa morte", é uma questão altamente polêmica. Muitos cristãos acham que ela é uma violação das leis divinas, e outras pessoas acham que sua autorização daria espaço a abusos. Os simpatizantes da causa afirmam que o desejo de quem está sofrendo deve vir em primeiro lugar.
O médico Bernard Kouchner, um ativista de esquerda mais conhecido por seu trabalho em zonas de guerra, disse que chegou a hora de a França se equiparar aos países que já legalizaram a eutanásia. "Esse é um dos problemas mais sérios que a nossa sociedade deve enfrentar. A Holanda e a Bélgica o fizeram, as coisas estão evoluindo na Grã-Bretanha e em breve será assim na Itália e na Espanha. Não quero que meu país seja o último", afirmou ele à Europe 1.
O Ministério Público, que ontem determinou a libertação de Marie Humbert, solicitou uma autópsia no corpo e disse que o inquérito sobre o caso continua. Humbert, que entrou em um longo coma após sofrer um acidente em 2000, planejou sua morte de forma que coincidisse com o lançamento de seu livro "Eu Peço o Direito de Morrer", que ele ditou usando o leve movimento que restava em um polegar.
No livro, ele diz: "Estou feliz por ter causado ruído caso isso possa ajudar, não a mim, mas aos outros. Se minha vida estraçalhada e minha morte puderem ajudar aqueles que, como eu, pedem para morrer". Para escrevê-lo, Humbert passava diariamente horas com sua mãe, que lia o alfabeto para ele letra por letra. Na letra escolhida, o rapaz pressionava a palma da mão dela com o polegar.

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