México é campeão de turismo sexual, diz relatório

02 de março de 2007 • 00h51 • atualizado às 01h24

O México é o principal destino do turismo sexual em toda a América, justificando o título de "Bangcoc da América Latina", afirma o Relatório Global de Monitoração das ações contra a exploração sexual comercial de crianças e adolescentes.

O estudo foi realizado pela Rede de Organizações Trabalhando para a Eliminação do Exploração Sexual Comercial de Crianças e Adolescentes (ECPAT), apresentado nesta quinta-feira, no Museu Nacional de Arte no México.

O documento afirma que, embora não haja estatísticas oficiais, segundo a imprensa de 16 a 20 mil menores de 18 anos foram vítimas de exploração sexual no país entre 1998 e 2000.

O senador do Partido Revolução Democrática (PRD), Lázaro Mazón Alonso, disse que atualmente mais de 40 sites na internet apontam o México como "lugar ideal" para o turismo sexual.

Os sites oferecem pacotes turísticos, que incluem o abuso sexual de menores, a turistas dos Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Alemanha, Canadá, Itália e Suíça.

O senador disse que a exploração sexual de menores é a terceira categoria mais lucrativa no mundo, após o narcotráfico e a venda de armas. O México, explicou, é a "ponte internacional" para o tráfico de menores entre a América Latina e os EUA.

O relatório relata a situação de meninas de até 12 anos levadas à fronteira entre EUA e México, onde são vendidas a bares por US$ 18 a 36, mantidas em situação de escravidão e obrigadas a cobrir suas despesas de alojamento, alimentação e a consumir drogas.

Além disso, em muitos bares os donos são deputados, banqueiros, prefeitos e pessoas de influência na região.

As principais causas do abuso apontadas no texto são a pobreza e as desigualdades. Em algumas ocasiões são as próprias famílias que vendem os menores, ou simplesmente "emprestam por encomenda" para fugir da pobreza.

Para o senador, tudo isto é permitido pelos vazios legais e pela "complacência" das autoridades. Ele destacou "o silêncio e oposição da Igreja mexicana a investigações e medidas contra os abusos".

No México os principais "paraísos" sexuais de exploração de menores são as zonas fronteiriças, como Tijuana e Ciudad Juárez, além de pólos turísticos como o Distrito Federal, Acapulco e Cancún.

Além disso, o México é considerado o segundo país em nível mundial com maior produção de pornografia infantil. A Polícia Federal diz que a exploração sexual de menores pela internet está em terceiro lugar na lista de crimes cibernéticos mais comuns.

Existem diferenças entre os estados sobre a idade de consentimento sexual, que varia entre 12 e 18 anos. Em 25 estados mexicanos não há ação penal por abuso ou violação sexual se o agressor for casado com a vítima.

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