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 Israel: ex-ministro é condenado por delito sexual
01 de fevereiro de 2007 11h15

Um tribunal israelense condenou um antigo ministro da Justiça do País, Haim Ramon, ontem, por ter forçado uma jovem militar israelense a beijá-lo, em um caso de grande destaque que veio agravar a aura de escândalo em torno da liderança do País.

Depois do veredicto contra Ramon no tribunal da magistratura de Tel Aviv, surgiram fortes boatos de que o primeiro-ministro Ehud Olmert estaria se preparando para reformar seu gabinete. Ramon renunciou depois de ser indiciado, em agosto, e seus deveres foram assumidos interinamente pela ministra do Exterior Tzipi Livni. Com a condenação de Ramon, Olmert talvez procure por mudanças mais amplas, em uma tentativa de reconquistar apoio ao seu governo, que vem sofrendo uma série de escândalos e recebendo fortes críticas por sua conduta da guerra contra o Hizbollah, no Líbano, no terceiro trimestre do ano passado.

O tribunal promulgou seu veredicto uma semana depois que o presidente de Israel, Moshe Katsav, decidiu se afastar por três meses do posto, cujas funções são em larga medida cerimoniais, enquanto a promotoria do País decide se vai acusá-lo formalmente de estupro e agressão sexual. O Ministério da Justiça afirma que as acusações são prováveis, mas a promotoria ainda não chegou a uma decisão final. Katsav deixou sua residência oficial em Jerusalém e está morando no sul de Israel.

Processos contra figuras importantes por delitos sexuais são raros na cultura machista de Israel. Mas isso começou a mudar em 1998, quando uma lei de assédio sexual foi aprovada. Nos últimos anos, diversos casos do gênero ocorreram, entre os quais a condenação de Yitzhak Mordechai, ex-ministro da Defesa e Transportes israelense, por assédio sexual, em 2001. Ramon, 56, divorciado, foi acusado de forçar uma militar de 21 anos a beijá-lo em um escritório do governo, em 12 de julho, um dia depois que a guerra entre Israel e Líbano começou. Ramon afirmou que a mulher havia flertado com ele em uma festa do escritório, e que havia pedido para tirar uma foto em sua companhia. Os advogados do ex-ministro apresentaram uma foto dos dois posando abraçados para a câmera. Ramon admitiu o beijo, em seu depoimento, mas alegou que havia sido consensual.

No entanto, a militar depôs alegando que Ramon a beijara contra sua vontade, e o painel de três juízes aceitou essa interpretação. "Não foi um beijo de afeto", disse a juíza Hayuta Kochan, que leu o veredicto unânime. "O incidente tem todos os elementos de crime sexual". Fotógrafos e cinegrafistas cercaram Ramon quando o ex-ministro deixou o tribunal, em silêncio, acompanhado de sua namorada. Ele deve ser sentenciado dentro de três semanas, ainda que tenha anunciado ontem que apelaria. A pena máxima para esse tipo de delito é de três anos de detenção, mas os comentaristas de assuntos jurídicos israelenses consideram improvável que ele seja preso.

Ramon era parte do Legislativo israelense há mais de duas décadas, e foi uma das figuras de destaque no Partido Trabalhista, de centro-esquerda. Quando Ariel Sharon, então primeiro-ministro, deixou o partido Likud, conservador, e fundou o Kadima, de centro, no final de 2005, Ramon foi um dos legisladores trabalhistas que abandonaram sua legenda para acompanhá-lo. Sharon sofreu um derrame em janeiro de 2006, mas o partido recém-fundado conquistou a maioria nas eleições parlamentares israelenses em março. Ramon era visto como confidente e importante aliado de Olmert.

Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME

The New York Times
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