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 Mulher que ficou 19 anos na selva assiste à TV
29 de janeiro de 2007 10h31 atualizado às 11h21

Rochom Pngieng ao lado de sua mãe. Foto: AP

Rochom Pngieng ao lado de sua mãe
Foto: AP

A mulher que foi encontrada há duas semanas depois de passar 19 anos perdida na selva cambojana continua em adaptação à vida com sua família e já apresentou algumas melhoras, embora o processo seja longo, afirmou o psicólogo Héctor Rifa, que está ajudando em sua reabilitação. Rifa, da universidade espanhola de Oviedo, passou mais uma noite na casa da família em Oyadao, na província de Ratanakiri. "Ontem ela assistiu à televisão com toda a família e estava vidrada na tela, enquanto antes não mostrava interesse", disse.

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"Agora pode ficar diante da televisão sem se assustar, e tem interesse, como se reagisse (ao que vê)", afirmou o psicólogo espanhol, acrescentando que a jovem também olhou com grande interesse um álbum com fotos suas tiradas na semana passada.

O psicólogo ficará 24 horas com Rochom Pngieng, cinco dias depois do seu primeiro contato, quando fez uma primeira avaliação do estado da jovem de 28 anos que se perdeu na selva quando tinha 10 anos. "Ela está mais tranqüila, embora ainda apresente muitos bloqueios. Mas teve melhoras em comparação com a primeira sessão.

Segundo Rifa, outra mudança positiva é que "agora sorri com mais freqüência, embora na maior parte do tempo se mantenha taciturna, e faz mais movimentos com os lábios e com o pescoço". Também continua falando "uma linguagem que não se entende" e já balbuciava na semana passada, na primeira sessão de avaliação.

Quanto aos dois ursos de pelúcia que Rifa lhe presenteou então e com os quais tentou provocar suas sensações, a boa notícia é que "já não são necessários, pois em nível motor já toca as coisas, já as explora com as mãos".

"Os ursinhos serviram de ponte para desbloquear o tato. Nesse sentido já há uma evolução", ressaltou o psicólogo. O espanhol, que dirige em Phnom Penh um projeto da ONG Psicólogos sem Fronteiras financiado pela Agência Asturiana de Cooperação Internacional, não hesita ao dizer que o processo de adaptação será longo.

"Quando não recebe estímulos, permanece muito parada", disse. "Há aspectos sensoriais nos quais ainda deixa a desejar, como a audição e a fala, assim como nos exercícios de cores que fiz. Neste aspecto sua resposta ainda deixa a desejar", afirmou.

Rifa utilizou tintas pastel em um exercício de cores, mas Rocham "não entrou nesse jogo de desenhar e ver o que desenhava. Não mostrou interesse". No domingo à noite, Rochom ouviu a música de grupos étnicos locais e, "enquanto seus familiares dançaram até tarde, ela olhava quase com indiferença, com curiosidade, como quem pensa 'o quê estão fazendo'?".

O psicólogo, que não quer entrar na polêmica se é verdade ou não a história que um jornal cambojano deu em primeira mão segundo a qual a menina se perdeu na selva há 19 anos quando cuidava do gado, disse que ela "está o tempo todo muito protegida pela família".

"A família está muito, muito empenhada. Os moradores do povoado também vêm visitá-la. Come muito bem, não só o que a mãe prepara, mas também frutas e outras coisas que as visitas trazem, depois de cheirá-las cuidadosamente", afirmou.

Café da manhã

"O importante é que estamos trabalhando em sua recuperação, embora não sabemos do quê. Não temos informações sobre o seu passado. Não temos nem passado nem futuro", ressaltou Rifa. Sua intenção é fazer uma nova sessão na próxima semana para ver como continuará o processo, mas sempre com a idéia de que "onde está melhor é com a família".

EFE
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